sábado, 4 de julho de 2009

Sempre há uma extremidade oposta

Quando a lua aponta no céu
a extremidade oposta indica partida.
A partida de uma grande estrela
que iluminou todo o dia,
tornando-o igualmente grandioso.
Não pode toda a noite ter sol,
nem todo o dia ter lua.
As necessidades vitais pedem mudanças.
É preciso aceitar os equilíbrios naturais.
Mas, claro. Não custa nada entendê-los.
Aliás, custa! Mas se estás disposto
a um bom raciocínio
e tempo para refletir...
aventure-se.
Poderiam as plantas fazer fotossíntese sob a luz da lua?
Poderiam as marés se relacionar com o sol?
E a gravidade? Por que não nos deixa flutuar aí?
Até um espaço inimaginável e sem volta?
Por que nos apegamos a coisas materiais?
E por que estamos sempre criando?
Para tudo há uma explicação. Por que?
O mundo está muito bem arquitetado
e qualquer ação se reflete em muitas outras.
Por isso há um equilíbrio
que é constantemente desafiado
a fim de se desvendar sua própria importância.
Num jogo de opostos e extremos,
em que não se busca vencedor
mas se depara com empates.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

De mentira em mentira

De mentira em mentira
só se enche o papo.
Não há digestão.
(Você digere suas próprias mentiras?)
Morre-se de fome.
De mentira em mentira
não se constrói nada.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

Diálogo entre namorados

Às vezes as palavras não comunicam tudo.
E o corpo, as expressões faciais, o olhar
precisam intervir.
Expressão de afeto, carícia.
Troca de pensamentos
quase que como uma osmose.
O silêncio é o fundo perfeito
para a melodia visual que acontece.
Imóveis, percebem os movimentos um do outro.
O pulsar dos sentimentos no outro e em si.
E nesse instante de silêncio
falam tanto...

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Não quero me libertar"

E faço destas as minhas palavras.
Não consigo mais me imaginar sem você,
o mundo perderia as cores, os aromas
e nada teria mais o mesmo gosto,
pois é você que alimenta minha alma...
Estou presa a ti
e prentendo assim permanecer
o resto de nossa vida,
pois assim nos tornamos um só,
duas metades que se completam
e fazem-nos existir por um todo.

Mariana Bizinotto - 22/06/2009

O problema da distância

Num distanciamento,
por que sempre parece
que o problema é maior para quem fica
do que para quem parte?
Quem deixa tem um motivo forte
que quem fica nem sempre entende
e muito questiona.
Deixar distanciar e distanciar-se:
problemas diferentes?
Há quem diga que sim;
há quem vivencie que não.
Todas as distâncias são distâncias,
todas deixam vazios
e preenchem dúvidas;
fazem descobrir o óbvio
que o costumeiro velou.
De qualquer forma
distâncias abalam,
às vezes desestruturam,
às vezes reestruturam.
Compreender necessidades
já é uma questão de bom senso.

Mariana Bizinotto – 08/05/2009

Meu príncipe encantado

Um grande amor
promete povoar meu coração.
Minha cabeça já está tomada de sonhos.
Por minha mente passam inúmeros pensamentos
e em todos eles há você.
O que começou como mais um
tornou-se único, especial e querido.
É uma sensação de descoberta.
De descobrir o tudo no nada.
Mas ainda de ter sido descoberta.
Não imaginava que príncipes existiam,
menos ainda que vinham disfarçados.
No início da adolescência
uma professora dizia para que eu não esperasse,
que meu príncipe não bateria à minha porta
em um cavalo branco.
Ela estava certa.
Ele veio num carro branco,
quando eu já não acreditava mais em príncipe.
Demorei para identificá-lo como príncipe.
Estava fechada a decepções
e consequentemente não me abria a oportunidades.
Procurava nos lugares errados
seres menos anormais.
E descoberta no lugar menos esperado,
encontrei meu príncipe encantado.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

Mentiras

MENTIR
MENTE IR
Deixar a imaginação levar
para além dos fatos reais.
Tentar simular uma outra realidade,
um passado que nunca existiu.
Não é uma invenção benéfica.
A vida e os companheiros de viagem
não querem uma ficção.
Saber o que se passa;
entender o agora,
é uma necessidade humana.
Deixar a mente ir;
criar também é bom.
Deixar a simulação substituir
é o grande erro.
Modificar a existência
de um tempo,
de eventos,
e quando se perceber os rumos tomados
será tarde,
irreversível,
o rio já terá inscrito seu curso.
E as águas subseqüentes
estarão destinadas a segui-lo,
até o mar das decepções,
onde descobrirão as farsas.
As promessas de felicidade
terão ficado presas às pedras.
Vãos espaços
no coração que já não bate.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Irreconhecível

Um homem com ‘dor de cotovelo’
é um perigo.
Não há mais quem o entenda
ou preveja suas atitudes.
Nem ele mesmo sabe o que faz
e só o faz sem medir suas ações
que antes eram milimétricas,
cuidadosas, carinhosas.
Agora, agressivas
e sob um impulso,
que fazem desconfiar até às melhores amizades.
Irreconhecível,
o novo homem trava uma luta,
que não sabe ser contra o motivo da dor
ou contra si mesmo.
Recuperar a perda
ou conformar-se com outra ocupação?
Enquanto não descobre a resposta,
ocupa-se apenas em lutar
afinal, é preciso tentar dissipar a dor,
seja como for.

Mariana Bizinotto – 08/05/2009

domingo, 7 de junho de 2009

Lugar de troca

Sacolão, varejão...
O nome tanto faz!
É o lugar em que se troca
construção do homem
por criação de Deus.

Mariana Bizinotto - 07/06/2009

sábado, 6 de junho de 2009

Poema de uma tecla SÓ

SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ

SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ SÓ

SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ

SÓ
SÓ SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ

SÓ

Mariana Bizinotto – 12/05/2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cartas & Rosas

Deixe que as rosas sussurrem ao seu ouvido
o que eu não sei lhe dizer,
talvez até saiba,
mas não consiga,
por me tornar imóvel diante de ti.
Hipnotizado
por tua alegria e ciência de vida.
Seus olhos são labirintos
pelos quais aos poucos
me arrisco adentrar.
Enquanto minhas falas mudas
não chegam aos teus ouvidos.
Abra teu coração,
deixe que ouça minhas cartas
e minhas flores, a sussurrarem
um amor que eu já sinto.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

Sabedoria

SABEDORIA
SABER DOÍA
Não saber seria fingir
uma vida que não existia.
Era preciso,
foi preciso doer.
Agora o saber no ser,
é conhecimento.
Aprendizado incorporado,
mas saber doeu.
Foi a dor da incrustação.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

Namoro

Entender o outro
Descobrir o outro
Descobrir no outro
um pouco de si.
A parte que faltava.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

Brincadeira de criança

Como uma brincadeira de criança
paixão e confiança
vão sendo construídas.
O alicerce de um grande amor.
A cada olhar,
tímido, sincero,
uma criança que redescobre o mundo
num corpo de adulto.
Um adulto que percebe
que por mais criança ainda tente ser
já perdeu,
melhor, esqueceu,
algo da essência simplista.
Muitas vezes
a felicidade está no mais simples.
Em perceber a grandiosidade
que o simples torna corriqueiro.
Em redescobrir o que já se estava acostumado
a ver ou saber.

Mariana Bizinotto – 04/05/2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ainda se deixa para depois...

Por que as pessoas deixam as conversas para depois?
Depois passará o tempo.
Passarão as sensações.
Assim como poeta que não escreve em tempo
e perde os versos...
Os instantes são breves
e carregados de energia.
A cada lembrança
algo se perde ou se confunde
na trajetória de neurônio a neurônio.
As sinapses,
já sem ápices,
fragmentam, incrementam,
contorcem, distorcem,
deformam e informam,
uma verdade construída.
É como a fotografia abstrata.
Uma realidade manipulada.
Afinal, como é mesmo que o poema começou?
Palavras e pensamentos
são como grãos de poeira no vento
se dissipam e se perdem com facilidade.
Por isso cada instante é preciso e precioso.
Existe com tal intensidade
uma única vez
numa única forma
com uma unidade momentânea
que vai se
F R A
G
M
E N T
A
N
D
O

Mariana Bizinotto – MARÇO-ABRIL/2009

Dia laranja

Certa vez
acordei num dia laranja.
Seria um dia forte,
não tão agradável.
Com emoções e incômodos.
Mudei, inclusive, os tons
da tela de um aparelho.
Para personalizar...
E não sei por que estão lá até hoje.
As matizes que antes eram incogitáveis de surgirem,
agora, integram meu cotidiano.
Aquele dia laranja me fortaleceu,
a ponto de o desagradável do laranja
não me afetar mais.

Mariana Bizinotto – 22/04/2009

Amigos

O passado veio me encontrar
anunciando o aniversário de um ano.
E trazendo consigo
todo um sentimento adormecido.
Uma amizade saudável
que me recompôs,
assim como havia me ajudado a ser,
a me compor como um ser feliz.
Da qual não me desapeguei.
Apenas tive que me desprender
por forças do destino.
Aprender a viver
com outras verdades;
a conviver com a saudade.
E hoje tudo retornou,
uma presença gratificante.
Quis ir embora com eles.
Quem sabe não andássemos
até retornar aos tempos tão alegres?

Mariana Bizinotto – 22/04/2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Gavetas

Agora minhas gavetas
vivem do lado de fora.
Às vezes é bom ventilar as memórias...

Deixar que o vento leve os ácaros
e reviver passagens importantes.
Permitir que as mágoas se dissipem
e se libertar também
desses fantasmas que assombram
e aprisionam num passado sem fim,
agora limitado,
pelas expectativas que há de revivê-lo.

Algumas cartas e fotografias
se esconderam.
Temeram o ar puro
da cidade em evolução.
A verdade,
pétrea realidade,
dói,
mas mesmo assim, pulsa no íntimo de cada ser.

Esconder-se numa fuga de si mesmo.
Doce engano da vida que só se mata um pouco mais.
Se prender para não evaporar.
E quando se vê evaporou-se sem nem se prender,
sem nada se guardar,
sem viver.

Mariana Bizinotto - 06/05/2009

Superação

Vergonha e medo
são igualmente difíceis de superar.
Será por isso que quando acontecem
são chamados de super ações?

Mariana Bizinotto – 24/04/2009

Revelação

Eu achava que os homens
não tinham sentimento,
mas têm!
A ponto de até surpreenderem
as sensíveis mulheres!

Mariana Bizinotto – 28/04/2009

Medo de perder

Por medo de perder a pessoa amada,
acaba-se agindo
de maneira muito complexa,
o que só contribui para a perda:
a acelera.

Mariana Bizinotto – 28/04/2009

Prédio

Quatro chaminés
no apartamento de cima
tagarelam sobre a vida alheia.
E sabe-se lá
o que mais fazem;
além de sufocar os vizinhos.

Mariana Bizinotto - 21/04/2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Romance

Já havia me esquecido
de como o outono
é romântico...

A suave brisa
vem ao nosso encontro.
Quer carinho,
nos tira para dançar,
rodopia
e leva com ela nossos pensamentos.

O sol é um perfeito cavalheiro.
Gentil, ilumina sem cegar.
Está sempre presente,
sem, contudo, queimar.

Paineiras desfilam pelo canteiro central.
As flores masculinas exalam calma
e as femininas a exalarem alegria.

O céu,
mais azul que nunca.
E os corações
vermelhos como sempre
batem mais felizes,
apaixonados;
mesmo sem amantes
transmitem a paixão da vida.

Seres momentaneamente
se tornam imortais.

Mariana Bizinotto - 20/04/2009

Felicidade

FELIZ IDADE
FELIZ CIDADE
Quem é feliz em cada detalhe
é feliz por completo.
FELICIDADE
Mariana Bizinotto - 18/04/2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

CALMANTE

A escrita,
assim como o amante
tem o poder de acalmar.

Resultado equivalente ao calmante.

CALMANTE
A MANTE
CALMA + AMANTE
CALMANTE

Mariana Bizinotto - 18/04/2009

Construção Sutil

Os olhos cerrados
trazem a marca
de uma vida corrida,
mas não esgotada.
Olhos que pedem compreensão
e desejam a felicidade.
Descobrir no instante final
que a vida é o conjunto de cada momento,
aliás, de todos,
pode ser um choque.
Felizes ou não,
são eles, os momentos,
que determinam a alegria
ou o arrependimento,
no balanço final.

Mariana Bizinotto - 18/04/2009

Ambição

Doce engano da humanidade...
Investiria tudo
para não perder o que tem.

Mariana Bizinotto - 18/04/2009

domingo, 19 de abril de 2009

Páginas

Vejo o tempo passar
pelas datas,
que timidamente
marcam os cantos das páginas.
Vejo o quão produtivo foram os dias.
E quão vazio é o espaço além deles.
Números infinitos
que não se cansam de proliferar
têm pressa de se esgotarem.
Coitados!
Não sabem que é impossível acabar.
O homem não permitiria tal movimento
seria contra sua ambição.
Ele inventaria outros tantos infinitos.
Teria sua própria solução.

Mariana Bizinotto - 18/04/2009

Consciência

Arrependimento
são lembranças ruins
que pensamos
ter tido a oportunidade
de evitar,
e no entanto,
arriscamos.
Foi necessário
por um lado,
aprendemos,
amadurecemos.
Não deixa de ser
um arrependimento,
uma cobrança de nossa consciência,
mas é também uma lição.
Então aprendamos com ela
e acertemos na próxima encruzilhada.

Mariana Bizinotto - 18/04/2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Destino, se trilha?

Passos incertos.
Apesar do chão firme de cimento,
pés que se sentem sobre a areia.
Ondulante,
impaciente,
suave
e agressiva.
Numa tentativa de controlá-la,
se é controlado.
Angústia do ser impaciente
que procura trilhar seu próprio caminho.
Vencer barreiras
lutar contra mares e marés,
esquecendo-se
que ainda está na areia.
E que lá os movimentos são diferentes.

Passos que tentam acompanhar os sonhos
em ritmo largo,
acelerado,
tentando chegar
onde nem se sabe querer ir.

Mariana Bizinotto - 01/04/2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Dores da alma

A dor física não é maior
que a espiritual.
A dor do dever não cumprido.
Da esperança de outrem fracassado.
E o peso da derrota.
Não há carga maior que a emocional.
Esta não cabe em um simples corpo,
por maior, mais alto
ou mais rígido que seja.
Impossível suportar
as dores da alma.

Mariana Bizinotto - 14/04/2009

Separação

Apesar do tempo que se passou
ainda ouço seus passos
pela casa vazia.
Ainda sinto seu perfume
em meu corpo.
Ainda vejo sua bagunça espalhada.
Ainda falo contigo,
mas a única resposta
é o duro som do eco,
que fica a martelar minha cabeça.
Sem que eu esqueça
o que construímos juntos,
um mundo só nosso.
E que agora
na divisão de bens,
não sabemos com quem ficou.

Mariana Bizinotto - 01/04/2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Face familiar

Uma face familiar
surge diante de mim.
Instantaneamente a memória
busca referências.
Elas não são imediatas
mas estão ali,
prestes a aparecer
ou a se ocultar para sempre.
São memórias antigas.
A face sofrera transformações,
porém há traços marcantes
que a definem como conhecida.
Algo mais me chama a atenção.
Uma ânsia de diálogo e conhecimento,
ou reconhecimento,
me fazem reprocurar a face
a qual suspeito não ter me visto.
Vultos me dizem que a face acabara de sumir.
O meu corpo acaba obedecendo
aos comandos de busca da mente.
Porém não é suficiente mais ver,
também é preciso ser visto.
Quando a mente se ocupara de outras atividades
e interrompera a busca;
os olhos a avistaram.
Ao aproximar-me
meus olhos encontraram os da outra face.
Foi um longo e breve olhar.
Longo o suficiente para dar esperança,
só não sei ao certo o que esperava.
E breve como um passar.
Tempo depois nossos olhos se avistaram,
num novo passar, mais longo,
tentaram se desviar,
mas nossos olhares voltaram a se encontrar.
Foi uma sensação de felicidade.
É como se nos conhecessemos a muito tempo.
Pensei ter me lembrado de onde,
mas suspeito que eram apenas
traços infantis semelhantes.
Mesmo assim,
a face madura
parecia já estar gravada em mim.
Seria a outra metade de minha alma?

Mariana Bizinotto - 14/03/2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Relógio

Contando o tempo
para te ver.
Mas o relógio parou.
Teima em não se mexer.
Quer carinho, atenção.
Também é prisioneiro de si próprio.

Mariana Bizinotto - 02/04/2009

Deslocamento no espaço-tempo

Deslocada.
É assim que me sinto.
Espaço e tempo em constante mutação.
A ponto de se confundirem.
É como andar por um lugar desconhecido
e ao mesmo tempo familiar.
Rostos conhecidos me perseguem.
Fantasmas que não cessam.
Teimam em surgir
em todo lugar.
Acontecimentos de possibilidades mínimas,
em meu inconsciente,
se fazem possível por instantes.
Porém o simulacro sempre é descoberto.
E a razão íntima do existir, julgada.
Os caminhos parecem o mesmo.
Lugares conhecidos.
Lugares nunca percorridos.
Lugares ao mesmo tempo.
Lugares num mesmo tempo.
Lugares & tempo.
Em dois lugares ao mesmo tempo.
Em nenhum lugar a todo tempo.
Em nenhum lugar a nenhum tempo.
Deslocada!
É assim que eu me sinto.

Mariana Bizinotto - 08/04/2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Delírios Solitários

Da varanda
o assobio do vento
é o único indício
de outra presença.
O vento rápido, ágil,
faz de mim frágil ser
em minha solidão.
Ele passa e nem percebe
que o observo.
As folhas secas do chão
vieram de longe,
e afirmam a ausência de vida
na região.
Alguns cacos de vidro
estão como meu coração,
jogados a esmo.
A porta range
afastando de mim
minhas únicas lembranças.
Estou só, nessa imensidão.
Serei eu a única presença de vida
ou será que também já morri?

Mariana Bizinotto - 31/03/2009

Nascimento do Primeiro Amor

Recoberta pela cortina
a carinha de menina
que espia pela janela.
O coração que leva no peito
já conhece o que é o amor
e bate acelerado
quando ele passa;
ou preocupado
quando ele não passa.
O corpo de mulher
se endireita ao vê-lo surgir.
faz pose, ao mesmo tempo
em que quer fugir
para que tudo permaneça em segredo.
Os pensamentos
são, ora maduros, de mulher,
ora ingênuos, de menina levada.
Ânsia de ser.
De poder ter o outro
junto de si.
Ânsia
que ora se desafia como desejo
ora se encobre como sonho.
E observa intacta ele passar.
Enquanto ela também passa,
despercebida.

Mariana Bizinotto - 31/03/2009

Corpo

O corpo se altera,
excita,
repele a si próprio.
Uma confluência de percepções e ações.
Apenas uma lei natural,
física: ação e reação.
Nada complexo,
se por trás dos conceitos
não houvessem definições.
Hipóteses certas ou incertas,
passageiras ou concretas.
Hipóteses.

Corpo que sofre.
Corpo agente.
Corpo,
mas não corpo somente.
Escuta, reflete,
se pensa, se reinventa.
Um processo criativo de si mesmo.

Se conhece,
se encanta,
se estranha,
se despreza,
se apaixona por si próprio.
Conhece a si, ao outro,
ao universo,
e descobre a ignorância.

Mariana Bizinotto - 07/04/2009

Reação do corpo

Após um momento de raiva
ou desespero,
o alívio!
Uma sensação da mente para o corpo.

É preciso se equilibrar.
O extremo oposto,
(prazer-felicidade) é alcançado.

Relaxado,
o corpo está novamente preparado
para enfrentar o mundo.

Mariana Bizinotto - 07/04/2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Crise existencial

Versos intempestivos.
Esféricos.
Redundantes.
Relutantes.
Não querem ser vistos.
Não podem ser lidos.
Mas precisam ser escritos.
Devem existir.
Páginas brancas
que falam muito.
Páginas cheias
que permanecem em silêncio.
Páginas sinceras.
Páginas belas.
Nada tem sentido,
sem a fragilidade
que há na luz de vela.
O mesmo vento que a apaga
é o oxigênio que a faz viver.

Mariana Bizinotto - 30/03/2009

Quem é a criança?

Chegamos numa época
em que mãe e filho
correm pela loja.
Não se sabe mais quem é a criança.
Menina mãe
que ainda nem foi totalmente criada
e já tem que criar outra pessoa.
O pai?
Um moleque,
ainda não é responsável
nem por seu próprio dever de casa.
O que será desse ser,
criado por crianças?
Alguém que não conhece a fase adulta?
Uma eterna criança?
Como enfrentará o mundo
e toda a crueldade que o espera?
Enquanto não se descobre a resposta
ou uma solução,
mãe e filho ainda correm
por entre as mercadorias da loja.
E os corredores exercem sua literal função.

Mariana Bizinotto - 05/04/2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Desde que você se foi

A cada suspiro,
uma lembrança sua.
A cada palavra sua que retorna
em meus pensamentos,
uma lágrima.
A cada sorriso seu que revivo
um aperto no peito.
Triste sensação.
Não foi uma simples perda.

Amor eterno.
“Até que a morte (n)os separe”.
Agora que se foi
Sinto-me como se estivesse morta.

Mariana Bizinotto – 30/03/2009

Fases

Nos olhos
uma menina
que aspira o posto de mulher.
Nas marcas e espinhas
uma adolescente
que só quer se divertir
e ser feliz.
Nas sobrancelhas contraídas
a frieza calculista
da mulher que pensa a longo prazo.
Nas rugas que já aparecem na testa
o peso das responsabilidades.
no coração sofrido
uma garota que ainda espera
o grande e eterno amor.

Mariana Bizinotto – 30/03/2009

Um centro fixo

Idas.
Vindas.
Voltas.
Inumeráveis voltas.
incansáveis retornos.
Em torno
tudo gira.
Uma confusão
em minha mente.
Inconveniente.
Busco o centro
meu ponto fixo.
Quando tudo parece em paz
Esbarro novamente em você.
E toda ordem não passa de uma utopia.

Mariana Bizinotto – 30/03/2009

Limite

No limite entre a razão e os sentidos!
Entre a sensação de dever e liberdade.
Um querer contra-vontade
Um sonho pela metade.
Cada batimento um verso.
Cada sonho, um universo.
E eis o ser em seu limite.
Um querer sem poder.
Um viver com morrer.
Uma mistura de medo e prazer.
Sabedoria e ignorância.
Monotonia e extravagância.
Solidão e aliança.
Fantástico e real.
Mas afinal,
nunca se sabe ser a vida,
um sonho ou um fato.

Mariana Bizinotto – 22/03/2008

O que a vida me fez ver

Suas palavras, feitiços.
Você não é nenhum príncipe.
A pobreza do menino no farol,
uma farsa.
Há sim quem precise,
mas acreditar nele foi um engano.
Promessas vãs de um candidato a enganador.
Sim, essas foram muitas.
Quanto me roubaram!
Não só em dinheiro, parte do meu salário,
tempo e confiança foi o que mais levaram.
E aquela palavra amiga
seguido de um sorriso inimigo pelas costas.
A vida me fez desconfiar.
Foi assim que
amizades foram feitas à peneira.
Amores descobertos de poeira.
Medos superados a vida inteira.
Dores de crescimento à minha maneira
Revelam a maturidade do meu ser.

Mariana Bizinotto – 28/02/2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pessoas...

Pessoas são poeiras.
Se não ficarmos espertos,
o vento as leva.

Para
longe, distante ou sempre...

Ele também pode as trazer de volta,
mas tudo não passa de
uma hipotética incerteza.

~~~~~

Mariana Bizinotto - 23/03/2009

domingo, 22 de março de 2009

Último paradeiro

Quadras e quadras.
Blocos e esquinas,
sem muros.
Árvores, jardins e parques
se interpõem às harmônicas residências.
O agitado centro comercial
cede lugar ao turismo e ao poder.
Enquanto a economia
se faz em linhas retas, isoladas,
entre as tantas quadras.
Num lugar em que também
é disposta em linha,
escola e religião.
Sem muros ou cercas
os carros ao relento
não desaparecem.
As crianças correm entre árvores.
Um lugar aparentemente
perfeito...
Aparentemente.
Aparentemente?

Mariana Bizinotto – 22/03/2009

O Tempero...

Insinuação.
Mistério.
O tempero ideal.
Para que revelar tanto?
É preciso se conter.
Deixar um suspense no ar.
Um gostinho de quero mais.
O desejo de que seja duradouro.
E não chama passageira.
É preciso manter acesa a lareira.

Mariana Bizinotto – 08/03/2009

Vermelhos

Vermelho.
Este poema foi escrito a tinta vermelha.
Por vários motivos.
A última hora fora toda vermelha.
O pôr-do-sol
refletia carinhosamente
a luz vermelha,
do amor que tínhamos
do outro lado da porta.
Amor selvagem,
doce coragem
da ingenuidade;
mas sentíamos.
Vermelho
também foi o sangue
que as feridas
de tua partida
deixaram em mim.
E que não sei
se um dia
se cicatrizarão.
Bonito e feliz
foi o tempo,
que como o próprio
verbo diz,
se foi...
Agora,
outras pessoas nos mesmos corpos.
Nada é como antes.
A única coincidência
são as lembranças
que ambos temos.
Os raios do sol
já no horizonte
flamejam raivosamente,
querem descansar.
Imploramos mais alguns minutos.
O vermelho então se transfere
da luz, ao nosso amor.
Desejo,
Paixão.
Talvez sejam as definições certas
num momento
em que os corpos não se estranham,
mas as mentes não cessam
em tentar desvendar o outro
que há diante de si,
junto a si,
entre si,
ou longe de si.
Sim, se fora.
Não para nunca mais.
Como fora a tempo atrás.
Não se sabe para quando.
Nem até quando as feridas
ficarão abertas.
Pois para que se fechem
é necessário
que o vermelho da paixão se intensifique
e brilhe mais,
como o vermelho do amor.

Mariana Bizinotto – 08/03/2009

Envolto em pensamentos

Ando,
sim, ando!
Por caminhos ainda não findos.
Não sei o que faço
nem por onde vou.
Só sei que neste mundo não estou.
Envolto em meus pensamentos
conheço milhões de questões,
sem sequer me deparar com suas respostas.
E é a elas que busco
por este caminho conflituoso.
É preciso unir as pistas,
para descobrir a verdade.
Se é que ela existe.
Não deixo rastros,
pois não quero me perder
em meus próprios passos.
Não há trilha certa,
nada é definido ou definitivo.
Estou sempre passando, e repassando talvez,
por lugares curiosos.
A lógica começa a perder o sentido
à procura de si mesma.
Mas as sinapses não param.
Pelo contrário,
aumentam a sensação do desconhecido
que está por vir.
E veio.
Também já se foi,
levando consigo mais incógnitas.
Viagem longa,
caminhei por diversas dimensões,
fiz milhões de amigos,
descobri outras diversões.
Retorno
e percebo aqui
o mesmo mundo,
sem alterações.
O tempo não passou,
aqui ainda estou,
na mesma rua.
O passeio,
creio,
durou segundos.
Breves segundos!
Infindáveis segundos.
Célebres.
Fecundos.
Fúnebres.
Intempéricos.
Porém breves,
e ao mesmo tempo
longos em sua essência.
Mas segundos...

Mariana Bizinotto – 05/03/2009

sexta-feira, 13 de março de 2009

Poesia: ocupação ou (a própria) vida?

Uma efervescência de sentidos.
Tudo me impele a escrever.
Versos fracos, graves, agudos.
Versos mudos.
Inspiração
é algo divino, mágico,
SUBLIME..., transcendental.
Vida, amores,
felicidade e sofrimento.
Fantasia, realidade...
sem escapar nem um só momento.

Mas ao calar do coração
tudo se esvai.

Mariana Bizinotto – 17/02/2009

domingo, 8 de março de 2009

Respirando novos ares...

Respirando novos ares...
Cada vez ares mais novos...
É época de ventos e brisas...
De se conhecer e também de se acertar.
É nesse ponto que surgem as confusões.
Indecisões fazem com que o instante nos guie.
Mas acima de tudo procuramos a nós mesmos.
Reinventamo-nos.
Estamos sempre crescendo e descobrindo,
essa é uma fase permanente,
não aparece só na criança.
Ou talvez seja necessária, pela criança
que ainda resta em cada um.
Superação.
Marcas.
Degraus.
Fotografias.
Amizades.
Saudades.
Poesias.
Lembranças
E cartas vazias.
Uma época escrita no coração.
Apesar de qualquer estabilidade ou solidez
estamos sempre a procurar novos ares...
Como a água, ora se resumi em vapor,
ora corre sobre a terra, ou se esconde abaixo dela.
ora se fecha em blocos ou flocos de gelo.
E como a água, nós também não somos constantes.
Coincidência ou não,
nosso corpo formado essencialmente por água
procura o equilíbrio e a harmonia
e se refaz em momentos inusitados.
Sempre à procura de novos ares...

Mariana Bizinotto – 03/03/2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Você aqui!?

Tudo era como sonho.
O amor se prometia eterno.
Um casal próspero.
Carícia no outono...
Calor no inverno...
Amor: em todas as estações.
Ventos mudaram de direção,
levaram-me em outro sentido.
Outra cidade;
outro ambiente.
As aves daqui não cantam
como as de lá.
As pessoas não dizem as mesmas gírias.
A comida, nem se parece...
Novos ares.
Outra fase da vida.
Saudades da primavera...
Outra rotina a estabelecer.
Semanas se passam,
não consigo me acostumar.
Ainda penso em você.
Desempacoto as lembranças
e as guardo em outra caixinha.
Memórias nossas.
Antes ter só as minhas.
A saudade me dói;
por outro lado,
os flashbacks me recompõem.
Momentos bonitos
que passamos juntos.
Poderia ficar horas aqui
olhando cada centímetro de fotografia...
o que não fiz
nem no próprio dia em que foram tiradas.
Se não fosse a porta,
aliás, a estrondosa campainha,
que me trouxe de volta à solidão.
Penso em não atender.
porém meus membros executam a ação contrária.
E abrem.
...
-Você aqui!?

Da fotografia ao corredor.
À minha frente,
não sei se ainda meu amor,
mas certamente,
meu amado.
Não sei o assunto que o trouxe aqui.
Sei apenas que fiquei parada ali.

Mariana Bizinotto – 17/02/2009

Flor da paixão

A flor
é como o amor
ou como a paixão
que brota
no coração.
Nasce.
Cresce.
E morre.

Mariana Bizinotto – 17/02/2009