Quantos livros na estante
ainda nem li.
Quantos poemas foram perdidos,
porque não escrevi.
Quantas ideias se foram
por estarmos ocupados.
Quantas músicas não ouvi,
ensurdecida pelo trânsito.
Quantos teatros não vi,
para dar assistência a alguém.
Quantos passos não dei
por estar tomando decisões.
Quantas vidas se foram
por não planejarem.
Por isso o absoluto
é uma qualidade sobrenatural.
Reles humanos
estamos sempre tentando
nos equiparar ao símbolo de perfeição
que criamos.
Enquanto tudo que existe de concreto
são as oscilações.
E na medida em que
nossos pensamentos voam como borboletas,
nossos pés correm rumo ao horizonte.
E mais um dia de luta entre o querer e o dever
se finda com o pôr-do-sol.
É tudo uma questão de administrar a vida.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
Espaço em que Mariana Bizinotto publica seus trabalhos poéticos de variados temas e pontos de vista. Eles se aproximam de uma linha existencial e refletem sobre a vida e cada acontecimento banal do cotidiano. Afinal são esses acontecimentos, a princípio triviais, que constroem os seres humanos e determinam suas ações individuais e na sociedade. Visões de mundo, ou mundos...
domingo, 27 de setembro de 2009
Notícia-fato
Hoje recebi a notícia
de que a mãe de um amigo falecera
e tomei a notícia como minha
bem como a dor que ela trouxera.
As lágrimas não escorreram,
mas se formaram
e estão em meu íntimo
prestes a derreter todo o meu corpo
agora de papel.
A característica de poeta ou sensível
vai além do simples imaginar
da dor do outro
consiste em tomar para si a dor -
ou outro sentimento alheio, -
compartilhar do estado de espírito
e viver mais do que uma só vida propicia.
Prós no sentido
de experiências e inspiração.
Contras na medida em que retira-te de ti
e propõe-lhe a vida do outro.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
de que a mãe de um amigo falecera
e tomei a notícia como minha
bem como a dor que ela trouxera.
As lágrimas não escorreram,
mas se formaram
e estão em meu íntimo
prestes a derreter todo o meu corpo
agora de papel.
A característica de poeta ou sensível
vai além do simples imaginar
da dor do outro
consiste em tomar para si a dor -
ou outro sentimento alheio, -
compartilhar do estado de espírito
e viver mais do que uma só vida propicia.
Prós no sentido
de experiências e inspiração.
Contras na medida em que retira-te de ti
e propõe-lhe a vida do outro.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Sabedoria
Há dias em que amanhece tudo escuro.
O sol aparece sombrio.
E depois do mundo desaguar
tudo torna a ser lindo.
Surgem aves amigas a murmurar
palavras a esmo
que apesar do não compromisso
e justamente por isso
fazem tão bem.
E o alívio é imediato.
Saber quando sorrir
e quando chorar
é uma das maiores sabedorias do mundo.
Enquanto uma das maiores dificuldades
é controlar as emoções.
Há dias em que se procuram espinhos
e nem se percebe as rosas caídas pelo caminho
a implorar socorro ou até mesmo atenção.
Há dias em que se procuram rosas
e tudo o que parece restar são os espinhos
da caminhada anterior.
Mesmo assim,
anda-se no caminho infinito
e totalmente imprevisível
procurando o que se quer encontrar
e esquecendo de encontrar o que não se procura.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
O sol aparece sombrio.
E depois do mundo desaguar
tudo torna a ser lindo.
Surgem aves amigas a murmurar
palavras a esmo
que apesar do não compromisso
e justamente por isso
fazem tão bem.
E o alívio é imediato.
Saber quando sorrir
e quando chorar
é uma das maiores sabedorias do mundo.
Enquanto uma das maiores dificuldades
é controlar as emoções.
Há dias em que se procuram espinhos
e nem se percebe as rosas caídas pelo caminho
a implorar socorro ou até mesmo atenção.
Há dias em que se procuram rosas
e tudo o que parece restar são os espinhos
da caminhada anterior.
Mesmo assim,
anda-se no caminho infinito
e totalmente imprevisível
procurando o que se quer encontrar
e esquecendo de encontrar o que não se procura.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
Busca pelas respostas
Eu gostaria de saber quem tem as respostas
para as minhas perguntas.
Não lhe digo nada,
porque sei que não me compreenderás.
És humano como eu.
Queria que foste comigo nessa busca,
queres, porém não entendes o motivo da viagem,
logo não me compreendes, nem apoias.
Queria eu que estivesses ao meu lado
e estar ao teu, a crescermos juntos.
Exiges de mim e não escutas
o que tenho a reclamar de ti.
Também não és perfeito.
Sabes disso, eu sei,
mas teus defeitos vão além
dos quais já tens conhecimento.
Compreendi os meus,
quero mudar, também por mim
e é por isso que parto nessa viagem
mesmo sem ti. E garanto:
Eu volto! E melhor!
Pena que não saberás
como se deu minha evolução
e as respostas que descobri.
Espero que também encontres tuas soluções.
Se precisares estarei sempre pronta a lhe ajudar.
Até a volta,
apesar de que fisicamente estarei sempre aqui.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
para as minhas perguntas.
Não lhe digo nada,
porque sei que não me compreenderás.
És humano como eu.
Queria que foste comigo nessa busca,
queres, porém não entendes o motivo da viagem,
logo não me compreendes, nem apoias.
Queria eu que estivesses ao meu lado
e estar ao teu, a crescermos juntos.
Exiges de mim e não escutas
o que tenho a reclamar de ti.
Também não és perfeito.
Sabes disso, eu sei,
mas teus defeitos vão além
dos quais já tens conhecimento.
Compreendi os meus,
quero mudar, também por mim
e é por isso que parto nessa viagem
mesmo sem ti. E garanto:
Eu volto! E melhor!
Pena que não saberás
como se deu minha evolução
e as respostas que descobri.
Espero que também encontres tuas soluções.
Se precisares estarei sempre pronta a lhe ajudar.
Até a volta,
apesar de que fisicamente estarei sempre aqui.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
Onde está a verdadeira essência humana?
Quem muda sou sempre eu,
porém os outros não percebem
que se mostraram diferentes primeiro.
Talvez por já serem assim
e só não terem revelado tudo de início,
ou seja, para mim houve mudança.
Também podem lhes parecer o contrário,
os papéis serem invertidos.
Porém não creio pelas minhas análises.
Até determinada altura de minha vida
fui fechada.
E desde que me abri sou sempre mais transparente
e muito mudou.
Por ser tão incolor
posso parecer monótona diante camaleões.
Creio ser esse o problema:
minha abertura provoca algo que ainda
não compreendo bem.
Meu isolamento também é condenado.
E meu meio termo me faz
parecer uma pessoa falsa,
sem amigos e não merecedora de dedicação.
Não se aproximam demais, nem estão sempre longe.
Estão perto na medida em que lhes convém
e quando sou eu quem necessita, têm afazeres demais
para prestar atenção em mais uma pessoa.
Talvez a pergunta adequada seja:
O que é a verdadeira essência humana?
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
porém os outros não percebem
que se mostraram diferentes primeiro.
Talvez por já serem assim
e só não terem revelado tudo de início,
ou seja, para mim houve mudança.
Também podem lhes parecer o contrário,
os papéis serem invertidos.
Porém não creio pelas minhas análises.
Até determinada altura de minha vida
fui fechada.
E desde que me abri sou sempre mais transparente
e muito mudou.
Por ser tão incolor
posso parecer monótona diante camaleões.
Creio ser esse o problema:
minha abertura provoca algo que ainda
não compreendo bem.
Meu isolamento também é condenado.
E meu meio termo me faz
parecer uma pessoa falsa,
sem amigos e não merecedora de dedicação.
Não se aproximam demais, nem estão sempre longe.
Estão perto na medida em que lhes convém
e quando sou eu quem necessita, têm afazeres demais
para prestar atenção em mais uma pessoa.
Talvez a pergunta adequada seja:
O que é a verdadeira essência humana?
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Amizade verdadeira
é quando se fica longe
e no reencontro
parece que nenhum tempo se passara.
É como se a conversa continuasse
do ponto em que parou no dia anterior.
Mariana Bizinotto – 25/09/2009
e no reencontro
parece que nenhum tempo se passara.
É como se a conversa continuasse
do ponto em que parou no dia anterior.
Mariana Bizinotto – 25/09/2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Cultivo
Tenho saudades do meu bem,
meu amor, meu príncipe.
ontem mesmo eu estava a ler
as mensagens de início de namoro
e pré-namoro,
porém ninguém vive de passado
nem mesmo nosso amor.
É preciso sempre renovar,
cultivar e permitir que as raízes se fortaleçam.
Plantastes em mim um sentimento
então cultivas se queres evolução.
Não digo apenas pelas mensagens, pelas palavras,
as atitudes também não parecem mais tuas.
Reflete e compara-te antes e agora.
Eu me apaixonei pelo primeiro,
e não quero traí-lo com o segundo.
Decidas qual deve viver.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
meu amor, meu príncipe.
ontem mesmo eu estava a ler
as mensagens de início de namoro
e pré-namoro,
porém ninguém vive de passado
nem mesmo nosso amor.
É preciso sempre renovar,
cultivar e permitir que as raízes se fortaleçam.
Plantastes em mim um sentimento
então cultivas se queres evolução.
Não digo apenas pelas mensagens, pelas palavras,
as atitudes também não parecem mais tuas.
Reflete e compara-te antes e agora.
Eu me apaixonei pelo primeiro,
e não quero traí-lo com o segundo.
Decidas qual deve viver.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
Isolamento
As únicas pessoas das quais conquistei companhia
estão prestes a ir embora
como muitos já foram
pelo tempo, pela geografia
ou sem motivo conhecido.
Há um bloqueio entre meu eu e a sociedade.
Ambos se afastam em sentido contrário.
Isolo-me para não sofrer com o abandono alheio.
Sempre fiz isso
até achar que não era mais necessário
e começarem a me atingir novamente.
Não compreendo mais as atitudes de outrens.
Egos fortes que me dominam e massacram.
Para não haver discussões,
me calo e me dominam.
Para evitar a dominação
me afasto depois de já ter sofrido.
Sem compreenderem, me acusam.
E meu isolamento é todo culpa minha.
Bem como tudo o que se desfez.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
estão prestes a ir embora
como muitos já foram
pelo tempo, pela geografia
ou sem motivo conhecido.
Há um bloqueio entre meu eu e a sociedade.
Ambos se afastam em sentido contrário.
Isolo-me para não sofrer com o abandono alheio.
Sempre fiz isso
até achar que não era mais necessário
e começarem a me atingir novamente.
Não compreendo mais as atitudes de outrens.
Egos fortes que me dominam e massacram.
Para não haver discussões,
me calo e me dominam.
Para evitar a dominação
me afasto depois de já ter sofrido.
Sem compreenderem, me acusam.
E meu isolamento é todo culpa minha.
Bem como tudo o que se desfez.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
Voz muda
A cabeça do palito de fósforo
no chão da sala de aula
está voltada para mim
e vermelha, ela me chama mais atenção
que o professor descrevendo
um efeito ping-pong no chão cinzento
com o qual suas vestimentas
e cabelos quase camuflam.
De um lado a outro da sala
e de timbre constante
sua voz está sempre presente,
porém de tão contínua
chega a ser muda em nossos ouvidos.
E nesse instante o palito de fósforo
grita mais alto
e me chama atenção para a vida,
me questiona sobre o mundo
e me faz refletir sobre mim.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
no chão da sala de aula
está voltada para mim
e vermelha, ela me chama mais atenção
que o professor descrevendo
um efeito ping-pong no chão cinzento
com o qual suas vestimentas
e cabelos quase camuflam.
De um lado a outro da sala
e de timbre constante
sua voz está sempre presente,
porém de tão contínua
chega a ser muda em nossos ouvidos.
E nesse instante o palito de fósforo
grita mais alto
e me chama atenção para a vida,
me questiona sobre o mundo
e me faz refletir sobre mim.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Confissão
À margem do mundo
o vazio de um homem
que não sabe o que quer.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
o vazio de um homem
que não sabe o que quer.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
Evoluir
O mundo gira sob nossa cabeças
e é como se tudo fosse despencar sobre elas.
O peso da dor não é maior
que a consciência do vazio.
Entender o mundo
não é tão difícil quanto entender o outro.
Complexidades da vida humana
descartadas pela mira a esmo.
A roleta decide sua trajetória
e paciente você pensa que vive.
Uma vida sem escolhas, lutas
e consequentemente conquistas.
O acaso, o novo, o inesperado
podem ser atrativos,
mas também é preciso
estabelecer as próprias metas.
Enfrentar o mundo de cabeça erguida,
não de olhos fechados.
Convencer não basta,
o grande desafio é sustentar suas palavras.
Ninguém detém nenhuma sabedoria,
só se administra descobertas a todo tempo,
e são elas que ditam as regras de nossas vidas.
Evolução.
O mundo, a vida, o caminho, o passo,
a respiração, o pensamento,
a batida do coração e o olhar,
é tudo uma questão de evolução!
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
e é como se tudo fosse despencar sobre elas.
O peso da dor não é maior
que a consciência do vazio.
Entender o mundo
não é tão difícil quanto entender o outro.
Complexidades da vida humana
descartadas pela mira a esmo.
A roleta decide sua trajetória
e paciente você pensa que vive.
Uma vida sem escolhas, lutas
e consequentemente conquistas.
O acaso, o novo, o inesperado
podem ser atrativos,
mas também é preciso
estabelecer as próprias metas.
Enfrentar o mundo de cabeça erguida,
não de olhos fechados.
Convencer não basta,
o grande desafio é sustentar suas palavras.
Ninguém detém nenhuma sabedoria,
só se administra descobertas a todo tempo,
e são elas que ditam as regras de nossas vidas.
Evolução.
O mundo, a vida, o caminho, o passo,
a respiração, o pensamento,
a batida do coração e o olhar,
é tudo uma questão de evolução!
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
sábado, 12 de setembro de 2009
Um povo que fala dos outros
Quando dei por mim
estava eu sentada num toco feito banco
ouvindo falação de roça.
Um povo que fala dos outros.
O tempo passava
enquanto a fala distraía
o trabalho no fogão
e a cabeça desabafava as injustiças.
Um povo que falava da vida alheia,
como todo povo faz -
como que numa análise
inconsciente de sua sociedade -
uns falam por mal, outros por bem;
uns reclamam; outros poucos elogiam;
uns querem mudar o mundo,
outros sabem que não podem sozinhos,
e destes uma parte tenta conscientizar,
outra já se deu por vencida.
Mas e toda forma é preciso falar.
E aquele povo falava dos outros.
E ao mesmo tempo eu observa
as formigas,
será que elas também têm
problemas de convivências?
Mariana Bizinotto – 22/07/2009
estava eu sentada num toco feito banco
ouvindo falação de roça.
Um povo que fala dos outros.
O tempo passava
enquanto a fala distraía
o trabalho no fogão
e a cabeça desabafava as injustiças.
Um povo que falava da vida alheia,
como todo povo faz -
como que numa análise
inconsciente de sua sociedade -
uns falam por mal, outros por bem;
uns reclamam; outros poucos elogiam;
uns querem mudar o mundo,
outros sabem que não podem sozinhos,
e destes uma parte tenta conscientizar,
outra já se deu por vencida.
Mas e toda forma é preciso falar.
E aquele povo falava dos outros.
E ao mesmo tempo eu observa
as formigas,
será que elas também têm
problemas de convivências?
Mariana Bizinotto – 22/07/2009
Eis a questão
Não sei se é bom ou não
sentir saudade.
Confesso que até ontem senti.
Hoje não sei bem o que pensar.
O tempo apaga as ideias e as transforma.
O que antes era crível, hoje pode não ser.
O que parecia tão distante acabara de acontecer.
O que parecia sonho desabou.
O que tanto buscava já chegou.
O que tanto queria não quero mais ter.
O pensamento foi trocado pela ação.
A razão pela emoção.
E o resultado nada agradável
da análise pós-acontecimento
trouxera os remorsos.
Estabilidade foi substituída por desafio.
Porém a minha vida exige segurança.
Não a mesma, rígida, que sempre houve,
mas um mínimo suficiente para me estruturar.
Entre o que era, o que fui e o que almejava ser.
Entre o que fui, o que estou sendo e o pretendido,
porém este último não foi definido ainda.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
sentir saudade.
Confesso que até ontem senti.
Hoje não sei bem o que pensar.
O tempo apaga as ideias e as transforma.
O que antes era crível, hoje pode não ser.
O que parecia tão distante acabara de acontecer.
O que parecia sonho desabou.
O que tanto buscava já chegou.
O que tanto queria não quero mais ter.
O pensamento foi trocado pela ação.
A razão pela emoção.
E o resultado nada agradável
da análise pós-acontecimento
trouxera os remorsos.
Estabilidade foi substituída por desafio.
Porém a minha vida exige segurança.
Não a mesma, rígida, que sempre houve,
mas um mínimo suficiente para me estruturar.
Entre o que era, o que fui e o que almejava ser.
Entre o que fui, o que estou sendo e o pretendido,
porém este último não foi definido ainda.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Paradoxal dilema
Decidir entre um futuro promissor
e o passado seguro
não é fácil.
Ainda mais quando este passado
teima em ser presente
e o futuro tem pressa em acontecer.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
e o passado seguro
não é fácil.
Ainda mais quando este passado
teima em ser presente
e o futuro tem pressa em acontecer.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Voz misteriosa
Calma,
intrigante,
persistente,
era uma voz,
que anunciava o silêncio.
Que queria projetar-se
e continha a si própria.
Queria fazer-se ouvir,
mas era perigoso.
Escondendo-se
descobriu um caminho próprio,
seguro,
no qual não haveriam contestações.
E no qual descobriu estar passível a contradições,
piores ainda que as contestações,
pois estas ofereciam possibilidade de revanche.
Contradições,
no início, difíceis de conviver como ideias,
mas depois de suas raízes
na luta contra as contestações,
era possível seguir adiante,
sem preocupar-se com contradições alheias,
e mais ainda descobriu que também poderia
contradizer-se, a si própria
e o mundo não estaria findo.
Era uma questão de ponto de vista,
e como o mundo gira,
nada mais normal que atualizar-se.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
intrigante,
persistente,
era uma voz,
que anunciava o silêncio.
Que queria projetar-se
e continha a si própria.
Queria fazer-se ouvir,
mas era perigoso.
Escondendo-se
descobriu um caminho próprio,
seguro,
no qual não haveriam contestações.
E no qual descobriu estar passível a contradições,
piores ainda que as contestações,
pois estas ofereciam possibilidade de revanche.
Contradições,
no início, difíceis de conviver como ideias,
mas depois de suas raízes
na luta contra as contestações,
era possível seguir adiante,
sem preocupar-se com contradições alheias,
e mais ainda descobriu que também poderia
contradizer-se, a si própria
e o mundo não estaria findo.
Era uma questão de ponto de vista,
e como o mundo gira,
nada mais normal que atualizar-se.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A poesia que nunca escrevi
A ideia esperada a tanto
surge enfim
enquanto meus olhos avistam
no horizonte a lua cheia
e eu caminho na rua meio iluminada
e deserta.
Cabeça aberta, olhos sonhadores
e medo inexistente.
Porém mal sabia eu
que minhas idéias eram espreitadas.
O vislumbre pela força mágica
das palavras em mente
cegavam o mundo externo,
o qual só se fazia presente
pela interpretação que ganhava em mim.
Não fantasiado ou uma surrealidade,
mas uma vontade de existir de outra forma.
Sonhos em realização eram acoplados
ao mundo que nunca os suportariam.
E dessa forma o mundo que eu via só existia em mim.
enquanto para os outros nada de especial acontecia.
eu descobria que o mundo que sempre sonhei
poderia sim, existir.
E eu vivia por instantes nele.
É preciso retornar ao mundo dos loucos,
nem por isso abandonarei a sanidade do sonho.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
surge enfim
enquanto meus olhos avistam
no horizonte a lua cheia
e eu caminho na rua meio iluminada
e deserta.
Cabeça aberta, olhos sonhadores
e medo inexistente.
Porém mal sabia eu
que minhas idéias eram espreitadas.
O vislumbre pela força mágica
das palavras em mente
cegavam o mundo externo,
o qual só se fazia presente
pela interpretação que ganhava em mim.
Não fantasiado ou uma surrealidade,
mas uma vontade de existir de outra forma.
Sonhos em realização eram acoplados
ao mundo que nunca os suportariam.
E dessa forma o mundo que eu via só existia em mim.
enquanto para os outros nada de especial acontecia.
eu descobria que o mundo que sempre sonhei
poderia sim, existir.
E eu vivia por instantes nele.
É preciso retornar ao mundo dos loucos,
nem por isso abandonarei a sanidade do sonho.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Ladeiras de Ouro Preto
Muito morro
Muita pedra
Muita igreja
Sobe-desce
Desce-sobe
Igreja
Ladeira
Morro
E pedra...
Ladeira sobe
Ladeira desce
É pedra por toda parte.
Retas, curvas e pedras.
Não que as pedras sejam ruins,
pelo contrário, elas é que dão fama ao lugar.
De certa forma, porque as igrejas
também têm seu charme turístico.
Mas até a arte vista por toda parte lá
é em pedra, pedra-sabão.
Sobe-desce
Pedra vai, pedra vem
E o lugar permanece, encantador como sempre
e cativante como nunca.
Valeu a pena escalar cada pedrinha
e cada ladeira daquela...
Descobrir a história, que, aliás, é bem viva no lugar.
Uma pesquisa em campo,
um repensar necessário.
Ver a arte dos mestres brasileiros
descobrindo ao mesmo tempo
a nova arte que surge nas mãos artesãs,
tímidas e sonhadoras.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Muita pedra
Muita igreja
Sobe-desce
Desce-sobe
Igreja
Ladeira
Morro
E pedra...
Ladeira sobe
Ladeira desce
É pedra por toda parte.
Retas, curvas e pedras.
Não que as pedras sejam ruins,
pelo contrário, elas é que dão fama ao lugar.
De certa forma, porque as igrejas
também têm seu charme turístico.
Mas até a arte vista por toda parte lá
é em pedra, pedra-sabão.
Sobe-desce
Pedra vai, pedra vem
E o lugar permanece, encantador como sempre
e cativante como nunca.
Valeu a pena escalar cada pedrinha
e cada ladeira daquela...
Descobrir a história, que, aliás, é bem viva no lugar.
Uma pesquisa em campo,
um repensar necessário.
Ver a arte dos mestres brasileiros
descobrindo ao mesmo tempo
a nova arte que surge nas mãos artesãs,
tímidas e sonhadoras.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Era uma vozinha
Era uma voz.
Uma vozinha...
som suave,
tão suave
que de vez em quando
se tornava irritante!
Uma vozinha leve...
que não queria aparecer.
Tentava se conter, esconder, omitir ao máximo!
Mas se fazia necessária vez ou outra
e precisava aparecer.
Leve como pena,
era preciso silêncio absoluto
para ouvi-la,
pois até o vento
poderia levá-la, dissipá-la.
Era uma voz tímida, não fraca!
Fraca não, isso não era!
Tímida! Falava com temor,
mas quando conseguia
agarrar um fiozinho de segurança,
falava eloquentemente,
com a força da alma.
Porém era esse tal fiozinho de segurança
que vivia desfiado,
perdido por entre suas entranhas,
que a impedia de projetar-se.
Ir ao longe e alcançar ouvidos errados,
propagar mentiras
ou causar dúvidas,
e encontrar contestações –
essas vinham aos gritos,
escândalos vergonhosos,
aniquilação de todo um ser –
esses eram os maiores temores!
Por isso era preciso
paciência.
Fazer-se útil apenas com a certeza.
E esta certeza faltava-lhe quase sempre.
Falar, era morrer um pouco de cada vez.
E foi essa mesma vozinha
fina, suave, leve
e impacientemente temerosa
que conquistou o mundo.
Não através do som, mas da visão.
Se não era possível projetar-se em pronúncias,
era possível aos poucos transcrever-se,
e assim fazer-se existir.
E foi assim também
que aprendera a tecer os fios de segurança
que haviam dentro de si.
Suas entranhas nunca mais foram as mesmas,
agora eram rígidas,
estavam seguras de si
e conseguiam fazer-se ouvir.
Nunca imaginavam
apesar de terem sonhado diversas vezes com isso,
que um dia estariam à mostra.
Seriam alvo de procura e perguntas
e mais ainda que deteriam as respostas.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
Uma vozinha...
som suave,
tão suave
que de vez em quando
se tornava irritante!
Uma vozinha leve...
que não queria aparecer.
Tentava se conter, esconder, omitir ao máximo!
Mas se fazia necessária vez ou outra
e precisava aparecer.
Leve como pena,
era preciso silêncio absoluto
para ouvi-la,
pois até o vento
poderia levá-la, dissipá-la.
Era uma voz tímida, não fraca!
Fraca não, isso não era!
Tímida! Falava com temor,
mas quando conseguia
agarrar um fiozinho de segurança,
falava eloquentemente,
com a força da alma.
Porém era esse tal fiozinho de segurança
que vivia desfiado,
perdido por entre suas entranhas,
que a impedia de projetar-se.
Ir ao longe e alcançar ouvidos errados,
propagar mentiras
ou causar dúvidas,
e encontrar contestações –
essas vinham aos gritos,
escândalos vergonhosos,
aniquilação de todo um ser –
esses eram os maiores temores!
Por isso era preciso
paciência.
Fazer-se útil apenas com a certeza.
E esta certeza faltava-lhe quase sempre.
Falar, era morrer um pouco de cada vez.
E foi essa mesma vozinha
fina, suave, leve
e impacientemente temerosa
que conquistou o mundo.
Não através do som, mas da visão.
Se não era possível projetar-se em pronúncias,
era possível aos poucos transcrever-se,
e assim fazer-se existir.
E foi assim também
que aprendera a tecer os fios de segurança
que haviam dentro de si.
Suas entranhas nunca mais foram as mesmas,
agora eram rígidas,
estavam seguras de si
e conseguiam fazer-se ouvir.
Nunca imaginavam
apesar de terem sonhado diversas vezes com isso,
que um dia estariam à mostra.
Seriam alvo de procura e perguntas
e mais ainda que deteriam as respostas.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
A chave do mundo
Como nas mensagens subliminares
é preciso decifrar,
se envolver até o infinito
para descobrir o que sempre esteve ali,
escondido, oculto, tímido, misterioso,
instigante, provocativo, sábio.
Ler nas entrelinhas,
nas bordas,
no verso,
no espaço vazio
e no bombardeio de informações;
desvendar os códigos;
encontrar em cada poema
a chave que o abre.
Mariana Bizinotto - 29/05/2009
é preciso decifrar,
se envolver até o infinito
para descobrir o que sempre esteve ali,
escondido, oculto, tímido, misterioso,
instigante, provocativo, sábio.
Ler nas entrelinhas,
nas bordas,
no verso,
no espaço vazio
e no bombardeio de informações;
desvendar os códigos;
encontrar em cada poema
a chave que o abre.
Mariana Bizinotto - 29/05/2009
sábado, 4 de julho de 2009
Sempre há uma extremidade oposta
Quando a lua aponta no céu
a extremidade oposta indica partida.
A partida de uma grande estrela
que iluminou todo o dia,
tornando-o igualmente grandioso.
Não pode toda a noite ter sol,
nem todo o dia ter lua.
As necessidades vitais pedem mudanças.
É preciso aceitar os equilíbrios naturais.
Mas, claro. Não custa nada entendê-los.
Aliás, custa! Mas se estás disposto
a um bom raciocínio
e tempo para refletir...
aventure-se.
Poderiam as plantas fazer fotossíntese sob a luz da lua?
Poderiam as marés se relacionar com o sol?
E a gravidade? Por que não nos deixa flutuar aí?
Até um espaço inimaginável e sem volta?
Por que nos apegamos a coisas materiais?
E por que estamos sempre criando?
Para tudo há uma explicação. Por que?
O mundo está muito bem arquitetado
e qualquer ação se reflete em muitas outras.
Por isso há um equilíbrio
que é constantemente desafiado
a fim de se desvendar sua própria importância.
Num jogo de opostos e extremos,
em que não se busca vencedor
mas se depara com empates.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
a extremidade oposta indica partida.
A partida de uma grande estrela
que iluminou todo o dia,
tornando-o igualmente grandioso.
Não pode toda a noite ter sol,
nem todo o dia ter lua.
As necessidades vitais pedem mudanças.
É preciso aceitar os equilíbrios naturais.
Mas, claro. Não custa nada entendê-los.
Aliás, custa! Mas se estás disposto
a um bom raciocínio
e tempo para refletir...
aventure-se.
Poderiam as plantas fazer fotossíntese sob a luz da lua?
Poderiam as marés se relacionar com o sol?
E a gravidade? Por que não nos deixa flutuar aí?
Até um espaço inimaginável e sem volta?
Por que nos apegamos a coisas materiais?
E por que estamos sempre criando?
Para tudo há uma explicação. Por que?
O mundo está muito bem arquitetado
e qualquer ação se reflete em muitas outras.
Por isso há um equilíbrio
que é constantemente desafiado
a fim de se desvendar sua própria importância.
Num jogo de opostos e extremos,
em que não se busca vencedor
mas se depara com empates.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
De mentira em mentira
De mentira em mentira
só se enche o papo.
Não há digestão.
(Você digere suas próprias mentiras?)
Morre-se de fome.
De mentira em mentira
não se constrói nada.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
só se enche o papo.
Não há digestão.
(Você digere suas próprias mentiras?)
Morre-se de fome.
De mentira em mentira
não se constrói nada.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
Diálogo entre namorados
Às vezes as palavras não comunicam tudo.
E o corpo, as expressões faciais, o olhar
precisam intervir.
Expressão de afeto, carícia.
Troca de pensamentos
quase que como uma osmose.
O silêncio é o fundo perfeito
para a melodia visual que acontece.
Imóveis, percebem os movimentos um do outro.
O pulsar dos sentimentos no outro e em si.
E nesse instante de silêncio
falam tanto...
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
E o corpo, as expressões faciais, o olhar
precisam intervir.
Expressão de afeto, carícia.
Troca de pensamentos
quase que como uma osmose.
O silêncio é o fundo perfeito
para a melodia visual que acontece.
Imóveis, percebem os movimentos um do outro.
O pulsar dos sentimentos no outro e em si.
E nesse instante de silêncio
falam tanto...
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
"Não quero me libertar"
E faço destas as minhas palavras.
Não consigo mais me imaginar sem você,
o mundo perderia as cores, os aromas
e nada teria mais o mesmo gosto,
pois é você que alimenta minha alma...
Estou presa a ti
e prentendo assim permanecer
o resto de nossa vida,
pois assim nos tornamos um só,
duas metades que se completam
e fazem-nos existir por um todo.
Mariana Bizinotto - 22/06/2009
Não consigo mais me imaginar sem você,
o mundo perderia as cores, os aromas
e nada teria mais o mesmo gosto,
pois é você que alimenta minha alma...
Estou presa a ti
e prentendo assim permanecer
o resto de nossa vida,
pois assim nos tornamos um só,
duas metades que se completam
e fazem-nos existir por um todo.
Mariana Bizinotto - 22/06/2009
O problema da distância
Num distanciamento,
por que sempre parece
que o problema é maior para quem fica
do que para quem parte?
Quem deixa tem um motivo forte
que quem fica nem sempre entende
e muito questiona.
Deixar distanciar e distanciar-se:
problemas diferentes?
Há quem diga que sim;
há quem vivencie que não.
Todas as distâncias são distâncias,
todas deixam vazios
e preenchem dúvidas;
fazem descobrir o óbvio
que o costumeiro velou.
De qualquer forma
distâncias abalam,
às vezes desestruturam,
às vezes reestruturam.
Compreender necessidades
já é uma questão de bom senso.
Mariana Bizinotto – 08/05/2009
por que sempre parece
que o problema é maior para quem fica
do que para quem parte?
Quem deixa tem um motivo forte
que quem fica nem sempre entende
e muito questiona.
Deixar distanciar e distanciar-se:
problemas diferentes?
Há quem diga que sim;
há quem vivencie que não.
Todas as distâncias são distâncias,
todas deixam vazios
e preenchem dúvidas;
fazem descobrir o óbvio
que o costumeiro velou.
De qualquer forma
distâncias abalam,
às vezes desestruturam,
às vezes reestruturam.
Compreender necessidades
já é uma questão de bom senso.
Mariana Bizinotto – 08/05/2009
Meu príncipe encantado
Um grande amor
promete povoar meu coração.
Minha cabeça já está tomada de sonhos.
Por minha mente passam inúmeros pensamentos
e em todos eles há você.
O que começou como mais um
tornou-se único, especial e querido.
É uma sensação de descoberta.
De descobrir o tudo no nada.
Mas ainda de ter sido descoberta.
Não imaginava que príncipes existiam,
menos ainda que vinham disfarçados.
No início da adolescência
uma professora dizia para que eu não esperasse,
que meu príncipe não bateria à minha porta
em um cavalo branco.
Ela estava certa.
Ele veio num carro branco,
quando eu já não acreditava mais em príncipe.
Demorei para identificá-lo como príncipe.
Estava fechada a decepções
e consequentemente não me abria a oportunidades.
Procurava nos lugares errados
seres menos anormais.
E descoberta no lugar menos esperado,
encontrei meu príncipe encantado.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
promete povoar meu coração.
Minha cabeça já está tomada de sonhos.
Por minha mente passam inúmeros pensamentos
e em todos eles há você.
O que começou como mais um
tornou-se único, especial e querido.
É uma sensação de descoberta.
De descobrir o tudo no nada.
Mas ainda de ter sido descoberta.
Não imaginava que príncipes existiam,
menos ainda que vinham disfarçados.
No início da adolescência
uma professora dizia para que eu não esperasse,
que meu príncipe não bateria à minha porta
em um cavalo branco.
Ela estava certa.
Ele veio num carro branco,
quando eu já não acreditava mais em príncipe.
Demorei para identificá-lo como príncipe.
Estava fechada a decepções
e consequentemente não me abria a oportunidades.
Procurava nos lugares errados
seres menos anormais.
E descoberta no lugar menos esperado,
encontrei meu príncipe encantado.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
Mentiras
MENTIR
MENTE IR
Deixar a imaginação levar
para além dos fatos reais.
Tentar simular uma outra realidade,
um passado que nunca existiu.
Não é uma invenção benéfica.
A vida e os companheiros de viagem
não querem uma ficção.
Saber o que se passa;
entender o agora,
é uma necessidade humana.
Deixar a mente ir;
criar também é bom.
Deixar a simulação substituir
é o grande erro.
Modificar a existência
de um tempo,
de eventos,
e quando se perceber os rumos tomados
será tarde,
irreversível,
o rio já terá inscrito seu curso.
E as águas subseqüentes
estarão destinadas a segui-lo,
até o mar das decepções,
onde descobrirão as farsas.
As promessas de felicidade
terão ficado presas às pedras.
Vãos espaços
no coração que já não bate.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
MENTE IR
Deixar a imaginação levar
para além dos fatos reais.
Tentar simular uma outra realidade,
um passado que nunca existiu.
Não é uma invenção benéfica.
A vida e os companheiros de viagem
não querem uma ficção.
Saber o que se passa;
entender o agora,
é uma necessidade humana.
Deixar a mente ir;
criar também é bom.
Deixar a simulação substituir
é o grande erro.
Modificar a existência
de um tempo,
de eventos,
e quando se perceber os rumos tomados
será tarde,
irreversível,
o rio já terá inscrito seu curso.
E as águas subseqüentes
estarão destinadas a segui-lo,
até o mar das decepções,
onde descobrirão as farsas.
As promessas de felicidade
terão ficado presas às pedras.
Vãos espaços
no coração que já não bate.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Irreconhecível
Um homem com ‘dor de cotovelo’
é um perigo.
Não há mais quem o entenda
ou preveja suas atitudes.
Nem ele mesmo sabe o que faz
e só o faz sem medir suas ações
que antes eram milimétricas,
cuidadosas, carinhosas.
Agora, agressivas
e sob um impulso,
que fazem desconfiar até às melhores amizades.
Irreconhecível,
o novo homem trava uma luta,
que não sabe ser contra o motivo da dor
ou contra si mesmo.
Recuperar a perda
ou conformar-se com outra ocupação?
Enquanto não descobre a resposta,
ocupa-se apenas em lutar
afinal, é preciso tentar dissipar a dor,
seja como for.
Mariana Bizinotto – 08/05/2009
é um perigo.
Não há mais quem o entenda
ou preveja suas atitudes.
Nem ele mesmo sabe o que faz
e só o faz sem medir suas ações
que antes eram milimétricas,
cuidadosas, carinhosas.
Agora, agressivas
e sob um impulso,
que fazem desconfiar até às melhores amizades.
Irreconhecível,
o novo homem trava uma luta,
que não sabe ser contra o motivo da dor
ou contra si mesmo.
Recuperar a perda
ou conformar-se com outra ocupação?
Enquanto não descobre a resposta,
ocupa-se apenas em lutar
afinal, é preciso tentar dissipar a dor,
seja como for.
Mariana Bizinotto – 08/05/2009
domingo, 7 de junho de 2009
Lugar de troca
Sacolão, varejão...
O nome tanto faz!
É o lugar em que se troca
construção do homem
por criação de Deus.
Mariana Bizinotto - 07/06/2009
O nome tanto faz!
É o lugar em que se troca
construção do homem
por criação de Deus.
Mariana Bizinotto - 07/06/2009
sábado, 6 de junho de 2009
Poema de uma tecla SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ
SÓ SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ
Mariana Bizinotto – 12/05/2009
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ
SÓ SÓ SÓ SÓ
SÓ SÓ SÓ
SÓ
Mariana Bizinotto – 12/05/2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Cartas & Rosas
Deixe que as rosas sussurrem ao seu ouvido
o que eu não sei lhe dizer,
talvez até saiba,
mas não consiga,
por me tornar imóvel diante de ti.
Hipnotizado
por tua alegria e ciência de vida.
Seus olhos são labirintos
pelos quais aos poucos
me arrisco adentrar.
Enquanto minhas falas mudas
não chegam aos teus ouvidos.
Abra teu coração,
deixe que ouça minhas cartas
e minhas flores, a sussurrarem
um amor que eu já sinto.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
o que eu não sei lhe dizer,
talvez até saiba,
mas não consiga,
por me tornar imóvel diante de ti.
Hipnotizado
por tua alegria e ciência de vida.
Seus olhos são labirintos
pelos quais aos poucos
me arrisco adentrar.
Enquanto minhas falas mudas
não chegam aos teus ouvidos.
Abra teu coração,
deixe que ouça minhas cartas
e minhas flores, a sussurrarem
um amor que eu já sinto.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
Sabedoria
SABEDORIA
SABER DOÍA
Não saber seria fingir
uma vida que não existia.
Era preciso,
foi preciso doer.
Agora o saber no ser,
é conhecimento.
Aprendizado incorporado,
mas saber doeu.
Foi a dor da incrustação.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
SABER DOÍA
Não saber seria fingir
uma vida que não existia.
Era preciso,
foi preciso doer.
Agora o saber no ser,
é conhecimento.
Aprendizado incorporado,
mas saber doeu.
Foi a dor da incrustação.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
Namoro
Entender o outro
Descobrir o outro
Descobrir no outro
um pouco de si.
A parte que faltava.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
Descobrir o outro
Descobrir no outro
um pouco de si.
A parte que faltava.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
Brincadeira de criança
Como uma brincadeira de criança
paixão e confiança
vão sendo construídas.
O alicerce de um grande amor.
A cada olhar,
tímido, sincero,
uma criança que redescobre o mundo
num corpo de adulto.
Um adulto que percebe
que por mais criança ainda tente ser
já perdeu,
melhor, esqueceu,
algo da essência simplista.
Muitas vezes
a felicidade está no mais simples.
Em perceber a grandiosidade
que o simples torna corriqueiro.
Em redescobrir o que já se estava acostumado
a ver ou saber.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
paixão e confiança
vão sendo construídas.
O alicerce de um grande amor.
A cada olhar,
tímido, sincero,
uma criança que redescobre o mundo
num corpo de adulto.
Um adulto que percebe
que por mais criança ainda tente ser
já perdeu,
melhor, esqueceu,
algo da essência simplista.
Muitas vezes
a felicidade está no mais simples.
Em perceber a grandiosidade
que o simples torna corriqueiro.
Em redescobrir o que já se estava acostumado
a ver ou saber.
Mariana Bizinotto – 04/05/2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Ainda se deixa para depois...
Por que as pessoas deixam as conversas para depois?
Depois passará o tempo.
Passarão as sensações.
Assim como poeta que não escreve em tempo
e perde os versos...
Os instantes são breves
e carregados de energia.
A cada lembrança
algo se perde ou se confunde
na trajetória de neurônio a neurônio.
As sinapses,
já sem ápices,
fragmentam, incrementam,
contorcem, distorcem,
deformam e informam,
uma verdade construída.
É como a fotografia abstrata.
Uma realidade manipulada.
Afinal, como é mesmo que o poema começou?
Palavras e pensamentos
são como grãos de poeira no vento
se dissipam e se perdem com facilidade.
Por isso cada instante é preciso e precioso.
Existe com tal intensidade
uma única vez
numa única forma
com uma unidade momentânea
que vai se
F R A
G
M
E N T
A
N
D
O
Mariana Bizinotto – MARÇO-ABRIL/2009
Depois passará o tempo.
Passarão as sensações.
Assim como poeta que não escreve em tempo
e perde os versos...
Os instantes são breves
e carregados de energia.
A cada lembrança
algo se perde ou se confunde
na trajetória de neurônio a neurônio.
As sinapses,
já sem ápices,
fragmentam, incrementam,
contorcem, distorcem,
deformam e informam,
uma verdade construída.
É como a fotografia abstrata.
Uma realidade manipulada.
Afinal, como é mesmo que o poema começou?
Palavras e pensamentos
são como grãos de poeira no vento
se dissipam e se perdem com facilidade.
Por isso cada instante é preciso e precioso.
Existe com tal intensidade
uma única vez
numa única forma
com uma unidade momentânea
que vai se
F R A
G
M
E N T
A
N
D
O
Mariana Bizinotto – MARÇO-ABRIL/2009
Dia laranja
Certa vez
acordei num dia laranja.
Seria um dia forte,
não tão agradável.
Com emoções e incômodos.
Mudei, inclusive, os tons
da tela de um aparelho.
Para personalizar...
E não sei por que estão lá até hoje.
As matizes que antes eram incogitáveis de surgirem,
agora, integram meu cotidiano.
Aquele dia laranja me fortaleceu,
a ponto de o desagradável do laranja
não me afetar mais.
Mariana Bizinotto – 22/04/2009
acordei num dia laranja.
Seria um dia forte,
não tão agradável.
Com emoções e incômodos.
Mudei, inclusive, os tons
da tela de um aparelho.
Para personalizar...
E não sei por que estão lá até hoje.
As matizes que antes eram incogitáveis de surgirem,
agora, integram meu cotidiano.
Aquele dia laranja me fortaleceu,
a ponto de o desagradável do laranja
não me afetar mais.
Mariana Bizinotto – 22/04/2009
Amigos
O passado veio me encontrar
anunciando o aniversário de um ano.
E trazendo consigo
todo um sentimento adormecido.
Uma amizade saudável
que me recompôs,
assim como havia me ajudado a ser,
a me compor como um ser feliz.
Da qual não me desapeguei.
Apenas tive que me desprender
por forças do destino.
Aprender a viver
com outras verdades;
a conviver com a saudade.
E hoje tudo retornou,
uma presença gratificante.
Quis ir embora com eles.
Quem sabe não andássemos
até retornar aos tempos tão alegres?
Mariana Bizinotto – 22/04/2009
anunciando o aniversário de um ano.
E trazendo consigo
todo um sentimento adormecido.
Uma amizade saudável
que me recompôs,
assim como havia me ajudado a ser,
a me compor como um ser feliz.
Da qual não me desapeguei.
Apenas tive que me desprender
por forças do destino.
Aprender a viver
com outras verdades;
a conviver com a saudade.
E hoje tudo retornou,
uma presença gratificante.
Quis ir embora com eles.
Quem sabe não andássemos
até retornar aos tempos tão alegres?
Mariana Bizinotto – 22/04/2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Gavetas
Agora minhas gavetas
vivem do lado de fora.
Às vezes é bom ventilar as memórias...
Deixar que o vento leve os ácaros
e reviver passagens importantes.
Permitir que as mágoas se dissipem
e se libertar também
desses fantasmas que assombram
e aprisionam num passado sem fim,
agora limitado,
pelas expectativas que há de revivê-lo.
Algumas cartas e fotografias
se esconderam.
Temeram o ar puro
da cidade em evolução.
A verdade,
pétrea realidade,
dói,
mas mesmo assim, pulsa no íntimo de cada ser.
Esconder-se numa fuga de si mesmo.
Doce engano da vida que só se mata um pouco mais.
Se prender para não evaporar.
E quando se vê evaporou-se sem nem se prender,
sem nada se guardar,
sem viver.
Mariana Bizinotto - 06/05/2009
vivem do lado de fora.
Às vezes é bom ventilar as memórias...
Deixar que o vento leve os ácaros
e reviver passagens importantes.
Permitir que as mágoas se dissipem
e se libertar também
desses fantasmas que assombram
e aprisionam num passado sem fim,
agora limitado,
pelas expectativas que há de revivê-lo.
Algumas cartas e fotografias
se esconderam.
Temeram o ar puro
da cidade em evolução.
A verdade,
pétrea realidade,
dói,
mas mesmo assim, pulsa no íntimo de cada ser.
Esconder-se numa fuga de si mesmo.
Doce engano da vida que só se mata um pouco mais.
Se prender para não evaporar.
E quando se vê evaporou-se sem nem se prender,
sem nada se guardar,
sem viver.
Mariana Bizinotto - 06/05/2009
Superação
Vergonha e medo
são igualmente difíceis de superar.
Será por isso que quando acontecem
são chamados de super ações?
Mariana Bizinotto – 24/04/2009
são igualmente difíceis de superar.
Será por isso que quando acontecem
são chamados de super ações?
Mariana Bizinotto – 24/04/2009
Revelação
Eu achava que os homens
não tinham sentimento,
mas têm!
A ponto de até surpreenderem
as sensíveis mulheres!
Mariana Bizinotto – 28/04/2009
não tinham sentimento,
mas têm!
A ponto de até surpreenderem
as sensíveis mulheres!
Mariana Bizinotto – 28/04/2009
Medo de perder
Por medo de perder a pessoa amada,
acaba-se agindo
de maneira muito complexa,
o que só contribui para a perda:
a acelera.
Mariana Bizinotto – 28/04/2009
acaba-se agindo
de maneira muito complexa,
o que só contribui para a perda:
a acelera.
Mariana Bizinotto – 28/04/2009
Prédio
Quatro chaminés
no apartamento de cima
tagarelam sobre a vida alheia.
E sabe-se lá
o que mais fazem;
além de sufocar os vizinhos.
Mariana Bizinotto - 21/04/2009
no apartamento de cima
tagarelam sobre a vida alheia.
E sabe-se lá
o que mais fazem;
além de sufocar os vizinhos.
Mariana Bizinotto - 21/04/2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Romance
Já havia me esquecido
de como o outono
é romântico...
A suave brisa
vem ao nosso encontro.
Quer carinho,
nos tira para dançar,
rodopia
e leva com ela nossos pensamentos.
O sol é um perfeito cavalheiro.
Gentil, ilumina sem cegar.
Está sempre presente,
sem, contudo, queimar.
Paineiras desfilam pelo canteiro central.
As flores masculinas exalam calma
e as femininas a exalarem alegria.
O céu,
mais azul que nunca.
E os corações
vermelhos como sempre
batem mais felizes,
apaixonados;
mesmo sem amantes
transmitem a paixão da vida.
Seres momentaneamente
se tornam imortais.
Mariana Bizinotto - 20/04/2009
de como o outono
é romântico...
A suave brisa
vem ao nosso encontro.
Quer carinho,
nos tira para dançar,
rodopia
e leva com ela nossos pensamentos.
O sol é um perfeito cavalheiro.
Gentil, ilumina sem cegar.
Está sempre presente,
sem, contudo, queimar.
Paineiras desfilam pelo canteiro central.
As flores masculinas exalam calma
e as femininas a exalarem alegria.
O céu,
mais azul que nunca.
E os corações
vermelhos como sempre
batem mais felizes,
apaixonados;
mesmo sem amantes
transmitem a paixão da vida.
Seres momentaneamente
se tornam imortais.
Mariana Bizinotto - 20/04/2009
Felicidade
FELIZ IDADE
FELIZ CIDADE
Quem é feliz em cada detalhe
é feliz por completo.
FELICIDADE
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
CALMANTE
A escrita,
assim como o amante
tem o poder de acalmar.
Resultado equivalente ao calmante.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
assim como o amante
tem o poder de acalmar.
Resultado equivalente ao calmante.
CALMANTE
A MANTE
CALMA + AMANTE
CALMANTE
A MANTE
CALMA + AMANTE
CALMANTE
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
Construção Sutil
Os olhos cerrados
trazem a marca
de uma vida corrida,
mas não esgotada.
Olhos que pedem compreensão
e desejam a felicidade.
Descobrir no instante final
que a vida é o conjunto de cada momento,
aliás, de todos,
pode ser um choque.
Felizes ou não,
são eles, os momentos,
que determinam a alegria
ou o arrependimento,
no balanço final.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
trazem a marca
de uma vida corrida,
mas não esgotada.
Olhos que pedem compreensão
e desejam a felicidade.
Descobrir no instante final
que a vida é o conjunto de cada momento,
aliás, de todos,
pode ser um choque.
Felizes ou não,
são eles, os momentos,
que determinam a alegria
ou o arrependimento,
no balanço final.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
Ambição
Doce engano da humanidade...
Investiria tudo
para não perder o que tem.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
Investiria tudo
para não perder o que tem.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
domingo, 19 de abril de 2009
Páginas
Vejo o tempo passar
pelas datas,
que timidamente
marcam os cantos das páginas.
Vejo o quão produtivo foram os dias.
E quão vazio é o espaço além deles.
Números infinitos
que não se cansam de proliferar
têm pressa de se esgotarem.
Coitados!
Não sabem que é impossível acabar.
O homem não permitiria tal movimento
seria contra sua ambição.
Ele inventaria outros tantos infinitos.
Teria sua própria solução.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
pelas datas,
que timidamente
marcam os cantos das páginas.
Vejo o quão produtivo foram os dias.
E quão vazio é o espaço além deles.
Números infinitos
que não se cansam de proliferar
têm pressa de se esgotarem.
Coitados!
Não sabem que é impossível acabar.
O homem não permitiria tal movimento
seria contra sua ambição.
Ele inventaria outros tantos infinitos.
Teria sua própria solução.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
Consciência
Arrependimento
são lembranças ruins
que pensamos
ter tido a oportunidade
de evitar,
e no entanto,
arriscamos.
Foi necessário
por um lado,
aprendemos,
amadurecemos.
Não deixa de ser
um arrependimento,
uma cobrança de nossa consciência,
mas é também uma lição.
Então aprendamos com ela
e acertemos na próxima encruzilhada.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
são lembranças ruins
que pensamos
ter tido a oportunidade
de evitar,
e no entanto,
arriscamos.
Foi necessário
por um lado,
aprendemos,
amadurecemos.
Não deixa de ser
um arrependimento,
uma cobrança de nossa consciência,
mas é também uma lição.
Então aprendamos com ela
e acertemos na próxima encruzilhada.
Mariana Bizinotto - 18/04/2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Destino, se trilha?
Passos incertos.
Apesar do chão firme de cimento,
pés que se sentem sobre a areia.
Ondulante,
impaciente,
suave
e agressiva.
Numa tentativa de controlá-la,
se é controlado.
Angústia do ser impaciente
que procura trilhar seu próprio caminho.
Vencer barreiras
lutar contra mares e marés,
esquecendo-se
que ainda está na areia.
E que lá os movimentos são diferentes.
Passos que tentam acompanhar os sonhos
em ritmo largo,
acelerado,
tentando chegar
onde nem se sabe querer ir.
Mariana Bizinotto - 01/04/2009
Apesar do chão firme de cimento,
pés que se sentem sobre a areia.
Ondulante,
impaciente,
suave
e agressiva.
Numa tentativa de controlá-la,
se é controlado.
Angústia do ser impaciente
que procura trilhar seu próprio caminho.
Vencer barreiras
lutar contra mares e marés,
esquecendo-se
que ainda está na areia.
E que lá os movimentos são diferentes.
Passos que tentam acompanhar os sonhos
em ritmo largo,
acelerado,
tentando chegar
onde nem se sabe querer ir.
Mariana Bizinotto - 01/04/2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Dores da alma
A dor física não é maior
que a espiritual.
A dor do dever não cumprido.
Da esperança de outrem fracassado.
E o peso da derrota.
Não há carga maior que a emocional.
Esta não cabe em um simples corpo,
por maior, mais alto
ou mais rígido que seja.
Impossível suportar
as dores da alma.
Mariana Bizinotto - 14/04/2009
que a espiritual.
A dor do dever não cumprido.
Da esperança de outrem fracassado.
E o peso da derrota.
Não há carga maior que a emocional.
Esta não cabe em um simples corpo,
por maior, mais alto
ou mais rígido que seja.
Impossível suportar
as dores da alma.
Mariana Bizinotto - 14/04/2009
Separação
Apesar do tempo que se passou
ainda ouço seus passos
pela casa vazia.
Ainda sinto seu perfume
em meu corpo.
Ainda vejo sua bagunça espalhada.
Ainda falo contigo,
mas a única resposta
é o duro som do eco,
que fica a martelar minha cabeça.
Sem que eu esqueça
o que construímos juntos,
um mundo só nosso.
E que agora
na divisão de bens,
não sabemos com quem ficou.
Mariana Bizinotto - 01/04/2009
ainda ouço seus passos
pela casa vazia.
Ainda sinto seu perfume
em meu corpo.
Ainda vejo sua bagunça espalhada.
Ainda falo contigo,
mas a única resposta
é o duro som do eco,
que fica a martelar minha cabeça.
Sem que eu esqueça
o que construímos juntos,
um mundo só nosso.
E que agora
na divisão de bens,
não sabemos com quem ficou.
Mariana Bizinotto - 01/04/2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Face familiar
Uma face familiar
surge diante de mim.
Instantaneamente a memória
busca referências.
Elas não são imediatas
mas estão ali,
prestes a aparecer
ou a se ocultar para sempre.
São memórias antigas.
A face sofrera transformações,
porém há traços marcantes
que a definem como conhecida.
Algo mais me chama a atenção.
Uma ânsia de diálogo e conhecimento,
ou reconhecimento,
me fazem reprocurar a face
a qual suspeito não ter me visto.
Vultos me dizem que a face acabara de sumir.
O meu corpo acaba obedecendo
aos comandos de busca da mente.
Porém não é suficiente mais ver,
também é preciso ser visto.
Quando a mente se ocupara de outras atividades
e interrompera a busca;
os olhos a avistaram.
Ao aproximar-me
meus olhos encontraram os da outra face.
Foi um longo e breve olhar.
Longo o suficiente para dar esperança,
só não sei ao certo o que esperava.
E breve como um passar.
Tempo depois nossos olhos se avistaram,
num novo passar, mais longo,
tentaram se desviar,
mas nossos olhares voltaram a se encontrar.
Foi uma sensação de felicidade.
É como se nos conhecessemos a muito tempo.
Pensei ter me lembrado de onde,
mas suspeito que eram apenas
traços infantis semelhantes.
Mesmo assim,
a face madura
parecia já estar gravada em mim.
Seria a outra metade de minha alma?
Mariana Bizinotto - 14/03/2009
surge diante de mim.
Instantaneamente a memória
busca referências.
Elas não são imediatas
mas estão ali,
prestes a aparecer
ou a se ocultar para sempre.
São memórias antigas.
A face sofrera transformações,
porém há traços marcantes
que a definem como conhecida.
Algo mais me chama a atenção.
Uma ânsia de diálogo e conhecimento,
ou reconhecimento,
me fazem reprocurar a face
a qual suspeito não ter me visto.
Vultos me dizem que a face acabara de sumir.
O meu corpo acaba obedecendo
aos comandos de busca da mente.
Porém não é suficiente mais ver,
também é preciso ser visto.
Quando a mente se ocupara de outras atividades
e interrompera a busca;
os olhos a avistaram.
Ao aproximar-me
meus olhos encontraram os da outra face.
Foi um longo e breve olhar.
Longo o suficiente para dar esperança,
só não sei ao certo o que esperava.
E breve como um passar.
Tempo depois nossos olhos se avistaram,
num novo passar, mais longo,
tentaram se desviar,
mas nossos olhares voltaram a se encontrar.
Foi uma sensação de felicidade.
É como se nos conhecessemos a muito tempo.
Pensei ter me lembrado de onde,
mas suspeito que eram apenas
traços infantis semelhantes.
Mesmo assim,
a face madura
parecia já estar gravada em mim.
Seria a outra metade de minha alma?
Mariana Bizinotto - 14/03/2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Relógio
Contando o tempo
para te ver.
Mas o relógio parou.
Teima em não se mexer.
Quer carinho, atenção.
Também é prisioneiro de si próprio.
Mariana Bizinotto - 02/04/2009
para te ver.
Mas o relógio parou.
Teima em não se mexer.
Quer carinho, atenção.
Também é prisioneiro de si próprio.
Mariana Bizinotto - 02/04/2009
Deslocamento no espaço-tempo
Deslocada.
É assim que me sinto.
Espaço e tempo em constante mutação.
A ponto de se confundirem.
É como andar por um lugar desconhecido
e ao mesmo tempo familiar.
Rostos conhecidos me perseguem.
Fantasmas que não cessam.
Teimam em surgir
em todo lugar.
Acontecimentos de possibilidades mínimas,
em meu inconsciente,
se fazem possível por instantes.
Porém o simulacro sempre é descoberto.
E a razão íntima do existir, julgada.
Os caminhos parecem o mesmo.
Lugares conhecidos.
Lugares nunca percorridos.
Lugares ao mesmo tempo.
Lugares num mesmo tempo.
Lugares & tempo.
Em dois lugares ao mesmo tempo.
Em nenhum lugar a todo tempo.
Em nenhum lugar a nenhum tempo.
Deslocada!
É assim que eu me sinto.
Mariana Bizinotto - 08/04/2009
É assim que me sinto.
Espaço e tempo em constante mutação.
A ponto de se confundirem.
É como andar por um lugar desconhecido
e ao mesmo tempo familiar.
Rostos conhecidos me perseguem.
Fantasmas que não cessam.
Teimam em surgir
em todo lugar.
Acontecimentos de possibilidades mínimas,
em meu inconsciente,
se fazem possível por instantes.
Porém o simulacro sempre é descoberto.
E a razão íntima do existir, julgada.
Os caminhos parecem o mesmo.
Lugares conhecidos.
Lugares nunca percorridos.
Lugares ao mesmo tempo.
Lugares num mesmo tempo.
Lugares & tempo.
Em dois lugares ao mesmo tempo.
Em nenhum lugar a todo tempo.
Em nenhum lugar a nenhum tempo.
Deslocada!
É assim que eu me sinto.
Mariana Bizinotto - 08/04/2009
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