Morar só
e esperar o dia todo
pela noite
e a volta da companhia,
que nunca retorna ao lar.
Mariana Bizinotto – 06/01/2010
Espaço em que Mariana Bizinotto publica seus trabalhos poéticos de variados temas e pontos de vista. Eles se aproximam de uma linha existencial e refletem sobre a vida e cada acontecimento banal do cotidiano. Afinal são esses acontecimentos, a princípio triviais, que constroem os seres humanos e determinam suas ações individuais e na sociedade. Visões de mundo, ou mundos...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Proximidade
Quando a proximidade se torna...
o precipício entre nós.
Duas pessoas tão próximas...
Dois amigos inseparáveis...
Na juventude se conheceram
como na infância...
Uma revelação!
E toda a proximidade
se torna a maior distância já imaginada por eles.
Apesar de sempre desejarem
saber que era possível o revelado;
suas atitudes não foram as sonhadas.
A nova situação os assustava
por colocar todos os sentimentos
numa outra condição,
de maior proximidade ainda;
temeram fracassar.
Dessa forma, muitos amores já foram evitados.
E também muitas histórias foram escritas.
O verdadeiro amor arrisca a própria vida para não morrer,
e só sobrevive por saber é capaz de se manter.
Mariana Bizinotto – 30/12/2009
o precipício entre nós.
Duas pessoas tão próximas...
Dois amigos inseparáveis...
Na juventude se conheceram
como na infância...
Uma revelação!
E toda a proximidade
se torna a maior distância já imaginada por eles.
Apesar de sempre desejarem
saber que era possível o revelado;
suas atitudes não foram as sonhadas.
A nova situação os assustava
por colocar todos os sentimentos
numa outra condição,
de maior proximidade ainda;
temeram fracassar.
Dessa forma, muitos amores já foram evitados.
E também muitas histórias foram escritas.
O verdadeiro amor arrisca a própria vida para não morrer,
e só sobrevive por saber é capaz de se manter.
Mariana Bizinotto – 30/12/2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Efeito avassalador
Não é só a fama;
Liberdade e poder
também sobem à cabeça
e arrasam-na!
Mariana Bizinotto – 15/12/2009
Liberdade e poder
também sobem à cabeça
e arrasam-na!
Mariana Bizinotto – 15/12/2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Sublimação
Quando seu perfume me envolve
sinto-me a mulher mais protegida do mundo.
Quando seus olhos procuram minha alma
já me perdi em seu sorriso.
Em frente à janela a gozar as cores
do fim de tarde que rapidamente
torna-se início da noite.
Uma noite a ser lembrada por todos os tempos.
Mariana Bizinotto – 14/12/2009
sinto-me a mulher mais protegida do mundo.
Quando seus olhos procuram minha alma
já me perdi em seu sorriso.
Em frente à janela a gozar as cores
do fim de tarde que rapidamente
torna-se início da noite.
Uma noite a ser lembrada por todos os tempos.
Mariana Bizinotto – 14/12/2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Não falemos de tempo
Acostumada a discutir sobre o tempo
com uma pessoa e
partilhantes da mesma pressa
que tanto afetada os pensamentos,
deparei-me com uma necessidade
de outro assunto.
Eis que em determinado momento
escrevi-lhe, após os cumprimentos:
“Não falemos de tempo dessa vez...
apesar de datas remeterem a tal.
Falemos então de uma data especial.
Feliz aniversário!!!!
Tudo de especial pra ti,
muita saúde, paz, tempo, alegrias e sucesso.
Claro, se for possível conciliar tudo,
o que talvez seja
o grande dilema da humanidade.”
Mariana Bizinotto – 29/11/2009
com uma pessoa e
partilhantes da mesma pressa
que tanto afetada os pensamentos,
deparei-me com uma necessidade
de outro assunto.
Eis que em determinado momento
escrevi-lhe, após os cumprimentos:
“Não falemos de tempo dessa vez...
apesar de datas remeterem a tal.
Falemos então de uma data especial.
Feliz aniversário!!!!
Tudo de especial pra ti,
muita saúde, paz, tempo, alegrias e sucesso.
Claro, se for possível conciliar tudo,
o que talvez seja
o grande dilema da humanidade.”
Mariana Bizinotto – 29/11/2009
Dias especiais
Certo dia acordei
e era aniversário de um amigo
um simples dia para tantos
e para ele o dia
que ocorre apenas uma vez
ao ano, por isso o caráter de especial.
Se pensarmos bem
todo dia ocorre não somente
uma vez ao ano,
mas uma vez na vida,
uma vez no universo.
Apesar de haverem dias semelhantes...
1º de janeiro nunca se repete,
nem mesmo o aniversário se repete.
Uma prova de que todos os dias são especiais
é em cada um é sempre um aniversário
só que para pessoas diferentes,
logo tudo depende da leitura dos fatos.
Mariana Bizinotto – 29/11/2009
e era aniversário de um amigo
um simples dia para tantos
e para ele o dia
que ocorre apenas uma vez
ao ano, por isso o caráter de especial.
Se pensarmos bem
todo dia ocorre não somente
uma vez ao ano,
mas uma vez na vida,
uma vez no universo.
Apesar de haverem dias semelhantes...
1º de janeiro nunca se repete,
nem mesmo o aniversário se repete.
Uma prova de que todos os dias são especiais
é em cada um é sempre um aniversário
só que para pessoas diferentes,
logo tudo depende da leitura dos fatos.
Mariana Bizinotto – 29/11/2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Inevitável
E distraída...
Tentava não sentir
o que era inevitável.
Até que um dia
um insight de cegar
me fez ver o que
vinha de dentro.
Mariana Bizinotto – 25/11/2009
Tentava não sentir
o que era inevitável.
Até que um dia
um insight de cegar
me fez ver o que
vinha de dentro.
Mariana Bizinotto – 25/11/2009
Brincadeiras
Esse olhar,
o pedido de desculpas,
o sorriso esperto,
o disfarce do nervosismo,
o espanto das palavras,
os gestos embaraçados,
as ambiguidades.
Nada me engana mais,
pois toda brincadeira
tem um fundo de verdade.
Só que o melhor
é encarar como um gracejo
e analisar a mensagem
que se esconde
e não a que é revelada.
Mariana Bizinotto – 23/11/2009
o pedido de desculpas,
o sorriso esperto,
o disfarce do nervosismo,
o espanto das palavras,
os gestos embaraçados,
as ambiguidades.
Nada me engana mais,
pois toda brincadeira
tem um fundo de verdade.
Só que o melhor
é encarar como um gracejo
e analisar a mensagem
que se esconde
e não a que é revelada.
Mariana Bizinotto – 23/11/2009
Arte, no quarto das ideias
Por que o artista
faz a obra
e esta fica limitada
às paredes gélidas do acervo
e apenas vez ou outra torna-se visível.
Será esta mais uma afirmação
da arte como ideia?
O que vale é saber que alguém
algum dia no tempo
teve uma ideia,
e não vê-la atualizada?
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
faz a obra
e esta fica limitada
às paredes gélidas do acervo
e apenas vez ou outra torna-se visível.
Será esta mais uma afirmação
da arte como ideia?
O que vale é saber que alguém
algum dia no tempo
teve uma ideia,
e não vê-la atualizada?
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O Trem
Levada à reflexão
sobre o fenômeno da disposição,
observei que apesar de, aparentemente,
fechada a possibilidades,
a pessoa pode não o estar realmente.
O fechamento pode não ser total,
mas uma espera,
pela chance certa.
Basta ouvir o coração
e naturalmente descobrir
que para os sonhos
nunca se está fechado,
sempre recluso a observar
o fluxo do mundo,
e a esperar o trem de seu destino.
E quando ele passa,
se observa temeroso,
imaginando como será
o lugar de chegada,
e ele está a parar,
mas por mais que se queira subir,
as pernas ficam presas ao chão
e a cabeça voa alto...
com o corpo todo desintegrado
o trem reinicia o movimento.
O corpo inerte impulsiona-se
e permanece olhando,
olhando apenas,
e o trem passando,
e de repente de um salto
ele agarra-se a traseira
e segue desajeitado,
com o incômodo vento
pelo lado de fora,
até conseguir se infiltrar
e descobrir que o trem só vai,
nunca chega a um ponto definitivo,
nem é cíclico,
viaja-se sempre...
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
sobre o fenômeno da disposição,
observei que apesar de, aparentemente,
fechada a possibilidades,
a pessoa pode não o estar realmente.
O fechamento pode não ser total,
mas uma espera,
pela chance certa.
Basta ouvir o coração
e naturalmente descobrir
que para os sonhos
nunca se está fechado,
sempre recluso a observar
o fluxo do mundo,
e a esperar o trem de seu destino.
E quando ele passa,
se observa temeroso,
imaginando como será
o lugar de chegada,
e ele está a parar,
mas por mais que se queira subir,
as pernas ficam presas ao chão
e a cabeça voa alto...
com o corpo todo desintegrado
o trem reinicia o movimento.
O corpo inerte impulsiona-se
e permanece olhando,
olhando apenas,
e o trem passando,
e de repente de um salto
ele agarra-se a traseira
e segue desajeitado,
com o incômodo vento
pelo lado de fora,
até conseguir se infiltrar
e descobrir que o trem só vai,
nunca chega a um ponto definitivo,
nem é cíclico,
viaja-se sempre...
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
Será?
Oh verbo confuso!
Inquietante!
“Ser ou não ser, eis a questão!” -
já indagou Sócrates,
reafirmou Shakespeare em Hamlet
e repetiram quase todos.
Não é apenas uma questão existencialista,
reverberada pelos conflitos
e dúvidas afora,
com outras versões, idiomas ou dialetos,
ou até mesmo com uma imagem apagada
pelas mãos de Rauschenberg,
será?
é uma questão que não quer calar,
não se cala,
e não se calará.
O combustível do mundo são as incertezas.
Será? será sempre uma busca.
Seja sendo ou não sendo.
Eis sempre a mesma questão.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
Inquietante!
“Ser ou não ser, eis a questão!” -
já indagou Sócrates,
reafirmou Shakespeare em Hamlet
e repetiram quase todos.
Não é apenas uma questão existencialista,
reverberada pelos conflitos
e dúvidas afora,
com outras versões, idiomas ou dialetos,
ou até mesmo com uma imagem apagada
pelas mãos de Rauschenberg,
será?
é uma questão que não quer calar,
não se cala,
e não se calará.
O combustível do mundo são as incertezas.
Será? será sempre uma busca.
Seja sendo ou não sendo.
Eis sempre a mesma questão.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Após a chuva...
Após a chuva
a neblina espessa
encobre a realidade
e aos poucos esclarece
a melhor verdade.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
a neblina espessa
encobre a realidade
e aos poucos esclarece
a melhor verdade.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
Rota
Aprendi o que nem sabia
estar na lição.
Sofri
a dor da incrustação.
Vivi
a imperfeição.
Discuti
com a razão.
Ignorei
o coração.
Temi
a melhor sensação.
Lutei
pela evolução.
Esqueci
da manutenção.
Sabotei
minha própria operação.
Fui surpreendida
pela minha própria invenção.
Perdi
do tempo a noção.
Deixei com você
o meu coração.
Tirei minha própria razão.
Roubei de mim
a convicção.
Esclareci
a rotação.
Retomei
a indeterminação.
Entreguei-me
à oscilação.
E hoje
tento ser feliz
por diversão.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
estar na lição.
Sofri
a dor da incrustação.
Vivi
a imperfeição.
Discuti
com a razão.
Ignorei
o coração.
Temi
a melhor sensação.
Lutei
pela evolução.
Esqueci
da manutenção.
Sabotei
minha própria operação.
Fui surpreendida
pela minha própria invenção.
Perdi
do tempo a noção.
Deixei com você
o meu coração.
Tirei minha própria razão.
Roubei de mim
a convicção.
Esclareci
a rotação.
Retomei
a indeterminação.
Entreguei-me
à oscilação.
E hoje
tento ser feliz
por diversão.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Pensar com o coração
Acho que deveria
pensar mais com o coração.
Só ele sabe realmente a verdade.
Procurar no racional
as respostas que só ele tem,
é um erro.
“O pior cego é aquele que não quer ver”.
E o que meus olham não vêem,
meu coração sente mais,
sente muito,
por poder ter evitado sofrimento
e por ter adiado felicidade.
Quando não se pensa com o coração
fingi-se achar soluções.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
pensar mais com o coração.
Só ele sabe realmente a verdade.
Procurar no racional
as respostas que só ele tem,
é um erro.
“O pior cego é aquele que não quer ver”.
E o que meus olham não vêem,
meu coração sente mais,
sente muito,
por poder ter evitado sofrimento
e por ter adiado felicidade.
Quando não se pensa com o coração
fingi-se achar soluções.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
O dia esperado
Quando o dia chega
o coração sabe que quer gritar
mas contido espera
ouvir primeiro o outro grito.
E pensam ambos
que o dia não chegou.
Até que tudo se esclareça.
E a incerta certeza
se confirme.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
o coração sabe que quer gritar
mas contido espera
ouvir primeiro o outro grito.
E pensam ambos
que o dia não chegou.
Até que tudo se esclareça.
E a incerta certeza
se confirme.
Mariana Bizinotto – 15/11/2009
sábado, 14 de novembro de 2009
Desilusões
Por que temer a verdade?
O óbvio e o sonho?
Por que temer a realização?
Talvez o medo seja na verdade
pela desilusão.
Temendo ser desiludida,
velei meus sentidos
e desejos.
Ocultei meus sonhos e anseios.
E caminhando por caminhos incertos
desiludi-me muito mais
do que pelo caminho que aspirava seguir.
Encontrar o caminho certo
é uma coisa,
decidir por seguir nele,
é outra –
e esta eu não estava disposta
a entender assim.
Por isso dei-me motivos
para que o caminho não fosse aquele.
Depois de voltas e curvas vãs,
decepções e desilusões,
que machucaram-me como espinhos,
deparei-me outra vez
com a porta de entrada
do caminho que me atraía.
Arriscar é uma palavra
bastante incomum em meu vocabulário,
apesar de requerida por circundantes.
E dessa vez ela não foi necessária.
O fenômeno se deu de uma outra forma.
Foi preciso permitir-me viver o instante
e caminhar simplesmente.
As longas curvas mortas ficaram
à deriva do passado,
onde nem as lembranças fazem questão de ir.
Agora o tobogã,
surpreendente,
esfria a barriga
e guarda um novo
sempre por vir.
Mariana Bizinotto – 13/11/2009
O óbvio e o sonho?
Por que temer a realização?
Talvez o medo seja na verdade
pela desilusão.
Temendo ser desiludida,
velei meus sentidos
e desejos.
Ocultei meus sonhos e anseios.
E caminhando por caminhos incertos
desiludi-me muito mais
do que pelo caminho que aspirava seguir.
Encontrar o caminho certo
é uma coisa,
decidir por seguir nele,
é outra –
e esta eu não estava disposta
a entender assim.
Por isso dei-me motivos
para que o caminho não fosse aquele.
Depois de voltas e curvas vãs,
decepções e desilusões,
que machucaram-me como espinhos,
deparei-me outra vez
com a porta de entrada
do caminho que me atraía.
Arriscar é uma palavra
bastante incomum em meu vocabulário,
apesar de requerida por circundantes.
E dessa vez ela não foi necessária.
O fenômeno se deu de uma outra forma.
Foi preciso permitir-me viver o instante
e caminhar simplesmente.
As longas curvas mortas ficaram
à deriva do passado,
onde nem as lembranças fazem questão de ir.
Agora o tobogã,
surpreendente,
esfria a barriga
e guarda um novo
sempre por vir.
Mariana Bizinotto – 13/11/2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Realização
Acostumados a um distanciamento físico
e a um limite de convívio
que não denunciasse o sentimento
cultivado por ambos,
e que ora insinuado, ora reprimido
provocava uma dinâmica
entre a expectativa, a certeza e a decepção.
Uma dinâmica que nos sustentou
e à nossa motivação.
Incentivo que aos poucos
passará a ser fornecido por outra fonte:
a realização e felicidade que agora há em nós,
o bem-estar mútuo que provocamos e sentimos.
As peças que espalhamos sobre a mesa
aos poucos se juntarão
e dessa vez comporão uma imagem real.
Mariana Bizinotto – 11/11/2009
e a um limite de convívio
que não denunciasse o sentimento
cultivado por ambos,
e que ora insinuado, ora reprimido
provocava uma dinâmica
entre a expectativa, a certeza e a decepção.
Uma dinâmica que nos sustentou
e à nossa motivação.
Incentivo que aos poucos
passará a ser fornecido por outra fonte:
a realização e felicidade que agora há em nós,
o bem-estar mútuo que provocamos e sentimos.
As peças que espalhamos sobre a mesa
aos poucos se juntarão
e dessa vez comporão uma imagem real.
Mariana Bizinotto – 11/11/2009
Fase de adaptação
Quando o amigo passa a par romântico.
O mistério e a dificuldade
cederão, com o tempo,
lugar à felicidade e ao aconchego.
A expectativa abrirá espaço à realização.
E aos poucos um corpo amigo
passará a um status superior,
de maior privilégio e proximidade,
talvez até mais íntimo.
Porém tudo só o tempo dirá,
como já declarara
um dos mais sábios dos ditados.
Mariana Bizinotto – 11/11/2009
O mistério e a dificuldade
cederão, com o tempo,
lugar à felicidade e ao aconchego.
A expectativa abrirá espaço à realização.
E aos poucos um corpo amigo
passará a um status superior,
de maior privilégio e proximidade,
talvez até mais íntimo.
Porém tudo só o tempo dirá,
como já declarara
um dos mais sábios dos ditados.
Mariana Bizinotto – 11/11/2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Nostalgia
A chuva almeja cair lá fora
e em mim cresce
uma felicidade
de origem inexplicável
e maravilhosa.
E o que importa
não é desvendar esse mistério
e sim sentir o dia e o tempo
pulsando em mim,
enquanto lá fora
a água purifica a matéria,
as lembranças boas
purificam minha alma.
Mariana Bizinotto - 06/11/2009
e em mim cresce
uma felicidade
de origem inexplicável
e maravilhosa.
E o que importa
não é desvendar esse mistério
e sim sentir o dia e o tempo
pulsando em mim,
enquanto lá fora
a água purifica a matéria,
as lembranças boas
purificam minha alma.
Mariana Bizinotto - 06/11/2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Surpreendida pelo óbvio
Agora estou tão feliz quanto boba.
O caro leitor (a) deve estar achando
uma embromação enfadonha,
porém para mim,
o que aqui pretendo expressar
é o mais importante de tudo
o que já quis traduzir em palavras.
No mesmo instante boba e a mais realizada
pessoa que se pode imaginar.
A pouco o homem que amo a tanto
e meu melhor amigo a tempo
segurou minha mão
por meio filme
e beijou-me ao final.
Sem nada falar a respeito
caminhamos até a livraria –
aconchegante como um lar –
seguimos até as mesmas prateleiras
e demoramos muito em conversas
que poderiam fluir até o infinito.
Os amigos riram bastante.
Durante a partida o amigo que caminhava ao lado
pegou minha mão
e ao falar que não sabia o que dizer
mal sabia ele que já havia dito tudo
o que eu mais queria ouvir a tempos -
e que fui saber mais adiante na caminhada –
o que ele também queria dizer a tempos.
Sempre sonhei com um amor assim
em que as palavras, tão excessivas
em outras caminhadas,
não fizessem o menor sentido
e nem mesmo a menor falta.
Não serei infantil a ponto de pensar que é um sonho
quero que seja real.
O que acontece é que ainda estou estupefata.
É um sorriso duradouro
e ao mesmo tempo contido pela surpresa.
É uma sensação de se ter ido, mas não ter aterrissado.
Estou flutuando e vendo a vida de fora.
É...
Indescritível...
Creio que ele também esteja sentindo o mesmo.
Somos tão parecidos
que até nisso a história foi igual.
Até mesmo os dois lados da história se parecem.
Só não estou boquiaberta, porque é uma descoberta boa,
aliás, é a melhor sensação da minha vida,
e porque o sorriso molda minha boca na direção contrária.
O momento da descoberta foi o mesmo da revelação.
Um alívio e um coração acelerado concomitantes.
O fato sempre esteve diante de mim,
porém as metáforas camuflaram a realidade
e tornaram sonho todas as possibilidades.
É tanta a vontade de semear pelo mundo a felicidade,
e também a necessidade de guardar só para nós o momento.
E esse equilíbrio só é possível pela maturidade
arraigada em mim
capaz de deter minha ansiedade.
Mariana Bizinotto – 09/11/2009
O caro leitor (a) deve estar achando
uma embromação enfadonha,
porém para mim,
o que aqui pretendo expressar
é o mais importante de tudo
o que já quis traduzir em palavras.
No mesmo instante boba e a mais realizada
pessoa que se pode imaginar.
A pouco o homem que amo a tanto
e meu melhor amigo a tempo
segurou minha mão
por meio filme
e beijou-me ao final.
Sem nada falar a respeito
caminhamos até a livraria –
aconchegante como um lar –
seguimos até as mesmas prateleiras
e demoramos muito em conversas
que poderiam fluir até o infinito.
Os amigos riram bastante.
Durante a partida o amigo que caminhava ao lado
pegou minha mão
e ao falar que não sabia o que dizer
mal sabia ele que já havia dito tudo
o que eu mais queria ouvir a tempos -
e que fui saber mais adiante na caminhada –
o que ele também queria dizer a tempos.
Sempre sonhei com um amor assim
em que as palavras, tão excessivas
em outras caminhadas,
não fizessem o menor sentido
e nem mesmo a menor falta.
Não serei infantil a ponto de pensar que é um sonho
quero que seja real.
O que acontece é que ainda estou estupefata.
É um sorriso duradouro
e ao mesmo tempo contido pela surpresa.
É uma sensação de se ter ido, mas não ter aterrissado.
Estou flutuando e vendo a vida de fora.
É...
Indescritível...
Creio que ele também esteja sentindo o mesmo.
Somos tão parecidos
que até nisso a história foi igual.
Até mesmo os dois lados da história se parecem.
Só não estou boquiaberta, porque é uma descoberta boa,
aliás, é a melhor sensação da minha vida,
e porque o sorriso molda minha boca na direção contrária.
O momento da descoberta foi o mesmo da revelação.
Um alívio e um coração acelerado concomitantes.
O fato sempre esteve diante de mim,
porém as metáforas camuflaram a realidade
e tornaram sonho todas as possibilidades.
É tanta a vontade de semear pelo mundo a felicidade,
e também a necessidade de guardar só para nós o momento.
E esse equilíbrio só é possível pela maturidade
arraigada em mim
capaz de deter minha ansiedade.
Mariana Bizinotto – 09/11/2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um dia no mundo ao lado
Seres como nós,
nós: eu e o caro leitor;
sim, pois vejo certa igualdade humana
em todos, tanto neste
quanto no mundo ao lado.
Eu estive lá, de visita,
passagem, não penetra.
Estive como quem quer estar.
Aprendi que a vida é bem mais simples.
E que as pessoas são bem mais frágeis
como o nosso mundo coloca.
Talvez este seja um dos itens
de seleção entre os mundos.
Boas pessoas, ótimas pessoas.
Assim como aqui, pessoas de todas as maneiras.
Mais aventureiras, mais ousadas,
mais despreocupadas com a razão;
mais sensíveis, mais leves.
Essa é a impressão de quem olha,
porém quem sente pode nitidamente
ver um conflito interno,
uma necessidade de refúgio,
de ter um porto-seguro
ou uma forma de alienação;
dar um tempo do que incomoda,
uma perda temporária de memória,
uma perda induzida.
A meu ver os fatos não se sustentam,
pois a memória que se perde
não é a que de fato se quer perder.
Respeito a forma
como cada um conduz sua vida.
E se achar que enganando
e controlando a mente
para que ela esteja atenta
apenas ao que se quer-
lembrando o termo da falsa-sensação -
é uma boa forma de vida,
não serei eu a voz da proibição.
Quem dera,
nem voz nesse mundo se tem sozinho.
A função da ponte é justamente
a de separar esses mundos ou uni-los,
na hora em que convier.
Mariana Bizinotto – 22/10/2009
nós: eu e o caro leitor;
sim, pois vejo certa igualdade humana
em todos, tanto neste
quanto no mundo ao lado.
Eu estive lá, de visita,
passagem, não penetra.
Estive como quem quer estar.
Aprendi que a vida é bem mais simples.
E que as pessoas são bem mais frágeis
como o nosso mundo coloca.
Talvez este seja um dos itens
de seleção entre os mundos.
Boas pessoas, ótimas pessoas.
Assim como aqui, pessoas de todas as maneiras.
Mais aventureiras, mais ousadas,
mais despreocupadas com a razão;
mais sensíveis, mais leves.
Essa é a impressão de quem olha,
porém quem sente pode nitidamente
ver um conflito interno,
uma necessidade de refúgio,
de ter um porto-seguro
ou uma forma de alienação;
dar um tempo do que incomoda,
uma perda temporária de memória,
uma perda induzida.
A meu ver os fatos não se sustentam,
pois a memória que se perde
não é a que de fato se quer perder.
Respeito a forma
como cada um conduz sua vida.
E se achar que enganando
e controlando a mente
para que ela esteja atenta
apenas ao que se quer-
lembrando o termo da falsa-sensação -
é uma boa forma de vida,
não serei eu a voz da proibição.
Quem dera,
nem voz nesse mundo se tem sozinho.
A função da ponte é justamente
a de separar esses mundos ou uni-los,
na hora em que convier.
Mariana Bizinotto – 22/10/2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Suposições
Suponho que o mundo
possa acabar amanhã.
Suponho também que
ele vare a eternidade.
Suponho que a vida
não passe de uma página branca.
Suponho que a matéria
não seja nada sólida.
Suponho que a rotina
seja apenas invenção.
Suponho que a cabeça
esteja muito alta para ver o chão.
Suponho que as pedras
sejam ao mesmo tempo nuvens
e nos façam descobrir outros mundos.
Mariana Bizinotto – 21/10/2009
possa acabar amanhã.
Suponho também que
ele vare a eternidade.
Suponho que a vida
não passe de uma página branca.
Suponho que a matéria
não seja nada sólida.
Suponho que a rotina
seja apenas invenção.
Suponho que a cabeça
esteja muito alta para ver o chão.
Suponho que as pedras
sejam ao mesmo tempo nuvens
e nos façam descobrir outros mundos.
Mariana Bizinotto – 21/10/2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Devaneios
Sou grata a uma amiga
por ela ter destruído meu sonho
enquanto ele estava no começo,
mas como o ser humano é teimoso,
não destruído por completo,
ainda havia esperança.
Só que eu estava de sobreaviso.
Os voos já eram mais curtos.
Voava um pouquinho e aterrissava.
Voos rasos...
que ainda me permitiam tocar o solo
entre um e outro devaneio.
E justamente no dia em que
arrisquei a voar um pouco mais,
meus pés se fixaram de vez no chão.
Assim é a vida...
Mariana Bizinotto – 22/10/2009
por ela ter destruído meu sonho
enquanto ele estava no começo,
mas como o ser humano é teimoso,
não destruído por completo,
ainda havia esperança.
Só que eu estava de sobreaviso.
Os voos já eram mais curtos.
Voava um pouquinho e aterrissava.
Voos rasos...
que ainda me permitiam tocar o solo
entre um e outro devaneio.
E justamente no dia em que
arrisquei a voar um pouco mais,
meus pés se fixaram de vez no chão.
Assim é a vida...
Mariana Bizinotto – 22/10/2009
Pessoas pisca-pisca
Pessoas surgem como luzes no fim do túnel
e depois se apagam,
nos abandonam no frio da caverna.
A mercê do tempo e de intempéries.
E o tempo traz outras pessoas.
que pisca-pisca passam...
E a vida é construída assim
entre os claro-escuros da vida
a esboçarem uma personalidade
no tempo-espaço desse universo cavernoso.
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
e depois se apagam,
nos abandonam no frio da caverna.
A mercê do tempo e de intempéries.
E o tempo traz outras pessoas.
que pisca-pisca passam...
E a vida é construída assim
entre os claro-escuros da vida
a esboçarem uma personalidade
no tempo-espaço desse universo cavernoso.
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
domingo, 18 de outubro de 2009
Tendências
Tende
Tem de
“Tender: esticar, inclinar-se”;
No verbete Ter:
“tenente: substituto de um chefe na ausência deste”
Há certo sentido em pensar
essa relação.
Ter de algo (uma ação provavelmente)
Tender a realizar algo (provavelmente uma ação também)
Por exemplo, ter de assinar, tender a assinar
Há uma pequena diferença de significados
um obriga o outro impulsiona,
porém também não se pode negar a estreita relação.
*dicionário consultado: Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (Antônio Geraldo da Cunha)
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
Tem de
“Tender: esticar, inclinar-se”;
No verbete Ter:
“tenente: substituto de um chefe na ausência deste”
Há certo sentido em pensar
essa relação.
Ter de algo (uma ação provavelmente)
Tender a realizar algo (provavelmente uma ação também)
Por exemplo, ter de assinar, tender a assinar
Há uma pequena diferença de significados
um obriga o outro impulsiona,
porém também não se pode negar a estreita relação.
*dicionário consultado: Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (Antônio Geraldo da Cunha)
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
Difusa percepção
Colorido o mundo
salta diante meus olhos
a preto e branco,
reforçando a pressa
e a necessidade de chegar,
só não sei onde.
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
salta diante meus olhos
a preto e branco,
reforçando a pressa
e a necessidade de chegar,
só não sei onde.
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
Dia de chuva lá dentro
A água sobe na sacada, lá fora...
Sem trégua, a chuva e o vento
levam de mim o que mais estimo
no momento,
meus pensamentos.
E sabe-se lá onde estarão eles agora...
O fato é que a água sobe e inunda
o que sobrou da tempestade.
Ouvindo uma banda nova
meus pensamentos viajam
entre o texto que deveria estar lendo
os planos futuros
e um nada que me fez vir aqui.
Não sei ainda bem o que esse nada
queria dizer ou quer de mim,
mas me faz compor palavras em versos
e expressar, inclusive a surpresa
de um sol repentino que se aponta.
Vou ali ver se meus pensamentos
estão muito encharcados.
...
Não os encontrei.
Talvez tenham avistado mente mais calma
para se estabelecer.
Um dia voltam.
Deixa ser!
Mas e esse sol!?
A água já desce de nível
e não ameaça mais invadir meu refúgio.
Quem sabe não fui eu quem fugiu
desses pensamentos?
Se fosse, por que estaria a procurá-los?
Que reflexão mais desconexa é essa
que me faz pensar não pensando?
Não pensando pensar?
...
Batem à porta...
!?
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
Sem trégua, a chuva e o vento
levam de mim o que mais estimo
no momento,
meus pensamentos.
E sabe-se lá onde estarão eles agora...
O fato é que a água sobe e inunda
o que sobrou da tempestade.
Ouvindo uma banda nova
meus pensamentos viajam
entre o texto que deveria estar lendo
os planos futuros
e um nada que me fez vir aqui.
Não sei ainda bem o que esse nada
queria dizer ou quer de mim,
mas me faz compor palavras em versos
e expressar, inclusive a surpresa
de um sol repentino que se aponta.
Vou ali ver se meus pensamentos
estão muito encharcados.
...
Não os encontrei.
Talvez tenham avistado mente mais calma
para se estabelecer.
Um dia voltam.
Deixa ser!
Mas e esse sol!?
A água já desce de nível
e não ameaça mais invadir meu refúgio.
Quem sabe não fui eu quem fugiu
desses pensamentos?
Se fosse, por que estaria a procurá-los?
Que reflexão mais desconexa é essa
que me faz pensar não pensando?
Não pensando pensar?
...
Batem à porta...
!?
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
Pinga Pingo
Chuva
leve lava livra
livre leva lave
vire encharque volte
mate afogue limpe
límpida mata volta
molha mela afoga
leve livre vai
volte molhe mele
vele esqueça reviva
nasça aparece morre
cai corre salta
vira lava e leve...
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
leve lava livra
livre leva lave
vire encharque volte
mate afogue limpe
límpida mata volta
molha mela afoga
leve livre vai
volte molhe mele
vele esqueça reviva
nasça aparece morre
cai corre salta
vira lava e leve...
Mariana Bizinotto – 18/10/2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Feliz aniversário
Já que a vida não pode ser um mar de rosas
que elas se sobressaiam pelo caminho
e que se aproveite esses bons momentos!!!
De rosa em rosa se constrói
a felicidade...
Mariana Bizinotto – 15/10/2009
que elas se sobressaiam pelo caminho
e que se aproveite esses bons momentos!!!
De rosa em rosa se constrói
a felicidade...
Mariana Bizinotto – 15/10/2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Altos e Baixos
A pior visão
é a de um fato desagradável.
O pior pesadelo
aquele que se concretiza acordado.
O maior medo,
a morte.
A pior sensação,
a infelicidade.
O melhor momento
quando se tem a ilusão
de ser dono de sua própria vida.
A melhor frase,
a que todos querem ouvir.
A frase mais especial,
a que poucos ouvem.
Tudo no universo
é constituído de altos e baixos,
montanhas e vales,
externo e interno.
Extremos, opostos e contrapostos.
Inclusive uma das complexidades
que envolve existência: a vida.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
é a de um fato desagradável.
O pior pesadelo
aquele que se concretiza acordado.
O maior medo,
a morte.
A pior sensação,
a infelicidade.
O melhor momento
quando se tem a ilusão
de ser dono de sua própria vida.
A melhor frase,
a que todos querem ouvir.
A frase mais especial,
a que poucos ouvem.
Tudo no universo
é constituído de altos e baixos,
montanhas e vales,
externo e interno.
Extremos, opostos e contrapostos.
Inclusive uma das complexidades
que envolve existência: a vida.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Traição
A traição nada mais é que um furto.
Retira-se sem violência física
nem movimento aparente.
Uma ideia roubada,
o amor ou a confiança de um ser,
ou tudo que não seja material
é surrupiado pelo presente.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
Retira-se sem violência física
nem movimento aparente.
Uma ideia roubada,
o amor ou a confiança de um ser,
ou tudo que não seja material
é surrupiado pelo presente.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
Verdade pura e cruel
Nunca gostei do que sempre
ouvi a respeito da verdade:
que “é dura”.
E desgosto mais ainda a partir
do instante em que a conheço.
Por que o puro
tem de ser ao mesmo tempo cruel?
Puro de certo ponto de análise,
pois já sofrera lapidação de várias mentes:
sonhadoras, criadoras,
sofredoras, investigadoras.
A pior verdade é a traição,
seja do tipo ou no campo em que for.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
ouvi a respeito da verdade:
que “é dura”.
E desgosto mais ainda a partir
do instante em que a conheço.
Por que o puro
tem de ser ao mesmo tempo cruel?
Puro de certo ponto de análise,
pois já sofrera lapidação de várias mentes:
sonhadoras, criadoras,
sofredoras, investigadoras.
A pior verdade é a traição,
seja do tipo ou no campo em que for.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Balanço
Quantos livros na estante
ainda nem li.
Quantos poemas foram perdidos,
porque não escrevi.
Quantas ideias se foram
por estarmos ocupados.
Quantas músicas não ouvi,
ensurdecida pelo trânsito.
Quantos teatros não vi,
para dar assistência a alguém.
Quantos passos não dei
por estar tomando decisões.
Quantas vidas se foram
por não planejarem.
Por isso o absoluto
é uma qualidade sobrenatural.
Reles humanos
estamos sempre tentando
nos equiparar ao símbolo de perfeição
que criamos.
Enquanto tudo que existe de concreto
são as oscilações.
E na medida em que
nossos pensamentos voam como borboletas,
nossos pés correm rumo ao horizonte.
E mais um dia de luta entre o querer e o dever
se finda com o pôr-do-sol.
É tudo uma questão de administrar a vida.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
ainda nem li.
Quantos poemas foram perdidos,
porque não escrevi.
Quantas ideias se foram
por estarmos ocupados.
Quantas músicas não ouvi,
ensurdecida pelo trânsito.
Quantos teatros não vi,
para dar assistência a alguém.
Quantos passos não dei
por estar tomando decisões.
Quantas vidas se foram
por não planejarem.
Por isso o absoluto
é uma qualidade sobrenatural.
Reles humanos
estamos sempre tentando
nos equiparar ao símbolo de perfeição
que criamos.
Enquanto tudo que existe de concreto
são as oscilações.
E na medida em que
nossos pensamentos voam como borboletas,
nossos pés correm rumo ao horizonte.
E mais um dia de luta entre o querer e o dever
se finda com o pôr-do-sol.
É tudo uma questão de administrar a vida.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
Notícia-fato
Hoje recebi a notícia
de que a mãe de um amigo falecera
e tomei a notícia como minha
bem como a dor que ela trouxera.
As lágrimas não escorreram,
mas se formaram
e estão em meu íntimo
prestes a derreter todo o meu corpo
agora de papel.
A característica de poeta ou sensível
vai além do simples imaginar
da dor do outro
consiste em tomar para si a dor -
ou outro sentimento alheio, -
compartilhar do estado de espírito
e viver mais do que uma só vida propicia.
Prós no sentido
de experiências e inspiração.
Contras na medida em que retira-te de ti
e propõe-lhe a vida do outro.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
de que a mãe de um amigo falecera
e tomei a notícia como minha
bem como a dor que ela trouxera.
As lágrimas não escorreram,
mas se formaram
e estão em meu íntimo
prestes a derreter todo o meu corpo
agora de papel.
A característica de poeta ou sensível
vai além do simples imaginar
da dor do outro
consiste em tomar para si a dor -
ou outro sentimento alheio, -
compartilhar do estado de espírito
e viver mais do que uma só vida propicia.
Prós no sentido
de experiências e inspiração.
Contras na medida em que retira-te de ti
e propõe-lhe a vida do outro.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Sabedoria
Há dias em que amanhece tudo escuro.
O sol aparece sombrio.
E depois do mundo desaguar
tudo torna a ser lindo.
Surgem aves amigas a murmurar
palavras a esmo
que apesar do não compromisso
e justamente por isso
fazem tão bem.
E o alívio é imediato.
Saber quando sorrir
e quando chorar
é uma das maiores sabedorias do mundo.
Enquanto uma das maiores dificuldades
é controlar as emoções.
Há dias em que se procuram espinhos
e nem se percebe as rosas caídas pelo caminho
a implorar socorro ou até mesmo atenção.
Há dias em que se procuram rosas
e tudo o que parece restar são os espinhos
da caminhada anterior.
Mesmo assim,
anda-se no caminho infinito
e totalmente imprevisível
procurando o que se quer encontrar
e esquecendo de encontrar o que não se procura.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
O sol aparece sombrio.
E depois do mundo desaguar
tudo torna a ser lindo.
Surgem aves amigas a murmurar
palavras a esmo
que apesar do não compromisso
e justamente por isso
fazem tão bem.
E o alívio é imediato.
Saber quando sorrir
e quando chorar
é uma das maiores sabedorias do mundo.
Enquanto uma das maiores dificuldades
é controlar as emoções.
Há dias em que se procuram espinhos
e nem se percebe as rosas caídas pelo caminho
a implorar socorro ou até mesmo atenção.
Há dias em que se procuram rosas
e tudo o que parece restar são os espinhos
da caminhada anterior.
Mesmo assim,
anda-se no caminho infinito
e totalmente imprevisível
procurando o que se quer encontrar
e esquecendo de encontrar o que não se procura.
Mariana Bizinotto – 24/09/2009
Busca pelas respostas
Eu gostaria de saber quem tem as respostas
para as minhas perguntas.
Não lhe digo nada,
porque sei que não me compreenderás.
És humano como eu.
Queria que foste comigo nessa busca,
queres, porém não entendes o motivo da viagem,
logo não me compreendes, nem apoias.
Queria eu que estivesses ao meu lado
e estar ao teu, a crescermos juntos.
Exiges de mim e não escutas
o que tenho a reclamar de ti.
Também não és perfeito.
Sabes disso, eu sei,
mas teus defeitos vão além
dos quais já tens conhecimento.
Compreendi os meus,
quero mudar, também por mim
e é por isso que parto nessa viagem
mesmo sem ti. E garanto:
Eu volto! E melhor!
Pena que não saberás
como se deu minha evolução
e as respostas que descobri.
Espero que também encontres tuas soluções.
Se precisares estarei sempre pronta a lhe ajudar.
Até a volta,
apesar de que fisicamente estarei sempre aqui.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
para as minhas perguntas.
Não lhe digo nada,
porque sei que não me compreenderás.
És humano como eu.
Queria que foste comigo nessa busca,
queres, porém não entendes o motivo da viagem,
logo não me compreendes, nem apoias.
Queria eu que estivesses ao meu lado
e estar ao teu, a crescermos juntos.
Exiges de mim e não escutas
o que tenho a reclamar de ti.
Também não és perfeito.
Sabes disso, eu sei,
mas teus defeitos vão além
dos quais já tens conhecimento.
Compreendi os meus,
quero mudar, também por mim
e é por isso que parto nessa viagem
mesmo sem ti. E garanto:
Eu volto! E melhor!
Pena que não saberás
como se deu minha evolução
e as respostas que descobri.
Espero que também encontres tuas soluções.
Se precisares estarei sempre pronta a lhe ajudar.
Até a volta,
apesar de que fisicamente estarei sempre aqui.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
Onde está a verdadeira essência humana?
Quem muda sou sempre eu,
porém os outros não percebem
que se mostraram diferentes primeiro.
Talvez por já serem assim
e só não terem revelado tudo de início,
ou seja, para mim houve mudança.
Também podem lhes parecer o contrário,
os papéis serem invertidos.
Porém não creio pelas minhas análises.
Até determinada altura de minha vida
fui fechada.
E desde que me abri sou sempre mais transparente
e muito mudou.
Por ser tão incolor
posso parecer monótona diante camaleões.
Creio ser esse o problema:
minha abertura provoca algo que ainda
não compreendo bem.
Meu isolamento também é condenado.
E meu meio termo me faz
parecer uma pessoa falsa,
sem amigos e não merecedora de dedicação.
Não se aproximam demais, nem estão sempre longe.
Estão perto na medida em que lhes convém
e quando sou eu quem necessita, têm afazeres demais
para prestar atenção em mais uma pessoa.
Talvez a pergunta adequada seja:
O que é a verdadeira essência humana?
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
porém os outros não percebem
que se mostraram diferentes primeiro.
Talvez por já serem assim
e só não terem revelado tudo de início,
ou seja, para mim houve mudança.
Também podem lhes parecer o contrário,
os papéis serem invertidos.
Porém não creio pelas minhas análises.
Até determinada altura de minha vida
fui fechada.
E desde que me abri sou sempre mais transparente
e muito mudou.
Por ser tão incolor
posso parecer monótona diante camaleões.
Creio ser esse o problema:
minha abertura provoca algo que ainda
não compreendo bem.
Meu isolamento também é condenado.
E meu meio termo me faz
parecer uma pessoa falsa,
sem amigos e não merecedora de dedicação.
Não se aproximam demais, nem estão sempre longe.
Estão perto na medida em que lhes convém
e quando sou eu quem necessita, têm afazeres demais
para prestar atenção em mais uma pessoa.
Talvez a pergunta adequada seja:
O que é a verdadeira essência humana?
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Amizade verdadeira
é quando se fica longe
e no reencontro
parece que nenhum tempo se passara.
É como se a conversa continuasse
do ponto em que parou no dia anterior.
Mariana Bizinotto – 25/09/2009
e no reencontro
parece que nenhum tempo se passara.
É como se a conversa continuasse
do ponto em que parou no dia anterior.
Mariana Bizinotto – 25/09/2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Cultivo
Tenho saudades do meu bem,
meu amor, meu príncipe.
ontem mesmo eu estava a ler
as mensagens de início de namoro
e pré-namoro,
porém ninguém vive de passado
nem mesmo nosso amor.
É preciso sempre renovar,
cultivar e permitir que as raízes se fortaleçam.
Plantastes em mim um sentimento
então cultivas se queres evolução.
Não digo apenas pelas mensagens, pelas palavras,
as atitudes também não parecem mais tuas.
Reflete e compara-te antes e agora.
Eu me apaixonei pelo primeiro,
e não quero traí-lo com o segundo.
Decidas qual deve viver.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
meu amor, meu príncipe.
ontem mesmo eu estava a ler
as mensagens de início de namoro
e pré-namoro,
porém ninguém vive de passado
nem mesmo nosso amor.
É preciso sempre renovar,
cultivar e permitir que as raízes se fortaleçam.
Plantastes em mim um sentimento
então cultivas se queres evolução.
Não digo apenas pelas mensagens, pelas palavras,
as atitudes também não parecem mais tuas.
Reflete e compara-te antes e agora.
Eu me apaixonei pelo primeiro,
e não quero traí-lo com o segundo.
Decidas qual deve viver.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
Isolamento
As únicas pessoas das quais conquistei companhia
estão prestes a ir embora
como muitos já foram
pelo tempo, pela geografia
ou sem motivo conhecido.
Há um bloqueio entre meu eu e a sociedade.
Ambos se afastam em sentido contrário.
Isolo-me para não sofrer com o abandono alheio.
Sempre fiz isso
até achar que não era mais necessário
e começarem a me atingir novamente.
Não compreendo mais as atitudes de outrens.
Egos fortes que me dominam e massacram.
Para não haver discussões,
me calo e me dominam.
Para evitar a dominação
me afasto depois de já ter sofrido.
Sem compreenderem, me acusam.
E meu isolamento é todo culpa minha.
Bem como tudo o que se desfez.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
estão prestes a ir embora
como muitos já foram
pelo tempo, pela geografia
ou sem motivo conhecido.
Há um bloqueio entre meu eu e a sociedade.
Ambos se afastam em sentido contrário.
Isolo-me para não sofrer com o abandono alheio.
Sempre fiz isso
até achar que não era mais necessário
e começarem a me atingir novamente.
Não compreendo mais as atitudes de outrens.
Egos fortes que me dominam e massacram.
Para não haver discussões,
me calo e me dominam.
Para evitar a dominação
me afasto depois de já ter sofrido.
Sem compreenderem, me acusam.
E meu isolamento é todo culpa minha.
Bem como tudo o que se desfez.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
Voz muda
A cabeça do palito de fósforo
no chão da sala de aula
está voltada para mim
e vermelha, ela me chama mais atenção
que o professor descrevendo
um efeito ping-pong no chão cinzento
com o qual suas vestimentas
e cabelos quase camuflam.
De um lado a outro da sala
e de timbre constante
sua voz está sempre presente,
porém de tão contínua
chega a ser muda em nossos ouvidos.
E nesse instante o palito de fósforo
grita mais alto
e me chama atenção para a vida,
me questiona sobre o mundo
e me faz refletir sobre mim.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
no chão da sala de aula
está voltada para mim
e vermelha, ela me chama mais atenção
que o professor descrevendo
um efeito ping-pong no chão cinzento
com o qual suas vestimentas
e cabelos quase camuflam.
De um lado a outro da sala
e de timbre constante
sua voz está sempre presente,
porém de tão contínua
chega a ser muda em nossos ouvidos.
E nesse instante o palito de fósforo
grita mais alto
e me chama atenção para a vida,
me questiona sobre o mundo
e me faz refletir sobre mim.
Mariana Bizinotto – 16/09/2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Confissão
À margem do mundo
o vazio de um homem
que não sabe o que quer.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
o vazio de um homem
que não sabe o que quer.
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
Evoluir
O mundo gira sob nossa cabeças
e é como se tudo fosse despencar sobre elas.
O peso da dor não é maior
que a consciência do vazio.
Entender o mundo
não é tão difícil quanto entender o outro.
Complexidades da vida humana
descartadas pela mira a esmo.
A roleta decide sua trajetória
e paciente você pensa que vive.
Uma vida sem escolhas, lutas
e consequentemente conquistas.
O acaso, o novo, o inesperado
podem ser atrativos,
mas também é preciso
estabelecer as próprias metas.
Enfrentar o mundo de cabeça erguida,
não de olhos fechados.
Convencer não basta,
o grande desafio é sustentar suas palavras.
Ninguém detém nenhuma sabedoria,
só se administra descobertas a todo tempo,
e são elas que ditam as regras de nossas vidas.
Evolução.
O mundo, a vida, o caminho, o passo,
a respiração, o pensamento,
a batida do coração e o olhar,
é tudo uma questão de evolução!
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
e é como se tudo fosse despencar sobre elas.
O peso da dor não é maior
que a consciência do vazio.
Entender o mundo
não é tão difícil quanto entender o outro.
Complexidades da vida humana
descartadas pela mira a esmo.
A roleta decide sua trajetória
e paciente você pensa que vive.
Uma vida sem escolhas, lutas
e consequentemente conquistas.
O acaso, o novo, o inesperado
podem ser atrativos,
mas também é preciso
estabelecer as próprias metas.
Enfrentar o mundo de cabeça erguida,
não de olhos fechados.
Convencer não basta,
o grande desafio é sustentar suas palavras.
Ninguém detém nenhuma sabedoria,
só se administra descobertas a todo tempo,
e são elas que ditam as regras de nossas vidas.
Evolução.
O mundo, a vida, o caminho, o passo,
a respiração, o pensamento,
a batida do coração e o olhar,
é tudo uma questão de evolução!
Mariana Bizinotto – 13/09/2009
sábado, 12 de setembro de 2009
Um povo que fala dos outros
Quando dei por mim
estava eu sentada num toco feito banco
ouvindo falação de roça.
Um povo que fala dos outros.
O tempo passava
enquanto a fala distraía
o trabalho no fogão
e a cabeça desabafava as injustiças.
Um povo que falava da vida alheia,
como todo povo faz -
como que numa análise
inconsciente de sua sociedade -
uns falam por mal, outros por bem;
uns reclamam; outros poucos elogiam;
uns querem mudar o mundo,
outros sabem que não podem sozinhos,
e destes uma parte tenta conscientizar,
outra já se deu por vencida.
Mas e toda forma é preciso falar.
E aquele povo falava dos outros.
E ao mesmo tempo eu observa
as formigas,
será que elas também têm
problemas de convivências?
Mariana Bizinotto – 22/07/2009
estava eu sentada num toco feito banco
ouvindo falação de roça.
Um povo que fala dos outros.
O tempo passava
enquanto a fala distraía
o trabalho no fogão
e a cabeça desabafava as injustiças.
Um povo que falava da vida alheia,
como todo povo faz -
como que numa análise
inconsciente de sua sociedade -
uns falam por mal, outros por bem;
uns reclamam; outros poucos elogiam;
uns querem mudar o mundo,
outros sabem que não podem sozinhos,
e destes uma parte tenta conscientizar,
outra já se deu por vencida.
Mas e toda forma é preciso falar.
E aquele povo falava dos outros.
E ao mesmo tempo eu observa
as formigas,
será que elas também têm
problemas de convivências?
Mariana Bizinotto – 22/07/2009
Eis a questão
Não sei se é bom ou não
sentir saudade.
Confesso que até ontem senti.
Hoje não sei bem o que pensar.
O tempo apaga as ideias e as transforma.
O que antes era crível, hoje pode não ser.
O que parecia tão distante acabara de acontecer.
O que parecia sonho desabou.
O que tanto buscava já chegou.
O que tanto queria não quero mais ter.
O pensamento foi trocado pela ação.
A razão pela emoção.
E o resultado nada agradável
da análise pós-acontecimento
trouxera os remorsos.
Estabilidade foi substituída por desafio.
Porém a minha vida exige segurança.
Não a mesma, rígida, que sempre houve,
mas um mínimo suficiente para me estruturar.
Entre o que era, o que fui e o que almejava ser.
Entre o que fui, o que estou sendo e o pretendido,
porém este último não foi definido ainda.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
sentir saudade.
Confesso que até ontem senti.
Hoje não sei bem o que pensar.
O tempo apaga as ideias e as transforma.
O que antes era crível, hoje pode não ser.
O que parecia tão distante acabara de acontecer.
O que parecia sonho desabou.
O que tanto buscava já chegou.
O que tanto queria não quero mais ter.
O pensamento foi trocado pela ação.
A razão pela emoção.
E o resultado nada agradável
da análise pós-acontecimento
trouxera os remorsos.
Estabilidade foi substituída por desafio.
Porém a minha vida exige segurança.
Não a mesma, rígida, que sempre houve,
mas um mínimo suficiente para me estruturar.
Entre o que era, o que fui e o que almejava ser.
Entre o que fui, o que estou sendo e o pretendido,
porém este último não foi definido ainda.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Paradoxal dilema
Decidir entre um futuro promissor
e o passado seguro
não é fácil.
Ainda mais quando este passado
teima em ser presente
e o futuro tem pressa em acontecer.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
e o passado seguro
não é fácil.
Ainda mais quando este passado
teima em ser presente
e o futuro tem pressa em acontecer.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Voz misteriosa
Calma,
intrigante,
persistente,
era uma voz,
que anunciava o silêncio.
Que queria projetar-se
e continha a si própria.
Queria fazer-se ouvir,
mas era perigoso.
Escondendo-se
descobriu um caminho próprio,
seguro,
no qual não haveriam contestações.
E no qual descobriu estar passível a contradições,
piores ainda que as contestações,
pois estas ofereciam possibilidade de revanche.
Contradições,
no início, difíceis de conviver como ideias,
mas depois de suas raízes
na luta contra as contestações,
era possível seguir adiante,
sem preocupar-se com contradições alheias,
e mais ainda descobriu que também poderia
contradizer-se, a si própria
e o mundo não estaria findo.
Era uma questão de ponto de vista,
e como o mundo gira,
nada mais normal que atualizar-se.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
intrigante,
persistente,
era uma voz,
que anunciava o silêncio.
Que queria projetar-se
e continha a si própria.
Queria fazer-se ouvir,
mas era perigoso.
Escondendo-se
descobriu um caminho próprio,
seguro,
no qual não haveriam contestações.
E no qual descobriu estar passível a contradições,
piores ainda que as contestações,
pois estas ofereciam possibilidade de revanche.
Contradições,
no início, difíceis de conviver como ideias,
mas depois de suas raízes
na luta contra as contestações,
era possível seguir adiante,
sem preocupar-se com contradições alheias,
e mais ainda descobriu que também poderia
contradizer-se, a si própria
e o mundo não estaria findo.
Era uma questão de ponto de vista,
e como o mundo gira,
nada mais normal que atualizar-se.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A poesia que nunca escrevi
A ideia esperada a tanto
surge enfim
enquanto meus olhos avistam
no horizonte a lua cheia
e eu caminho na rua meio iluminada
e deserta.
Cabeça aberta, olhos sonhadores
e medo inexistente.
Porém mal sabia eu
que minhas idéias eram espreitadas.
O vislumbre pela força mágica
das palavras em mente
cegavam o mundo externo,
o qual só se fazia presente
pela interpretação que ganhava em mim.
Não fantasiado ou uma surrealidade,
mas uma vontade de existir de outra forma.
Sonhos em realização eram acoplados
ao mundo que nunca os suportariam.
E dessa forma o mundo que eu via só existia em mim.
enquanto para os outros nada de especial acontecia.
eu descobria que o mundo que sempre sonhei
poderia sim, existir.
E eu vivia por instantes nele.
É preciso retornar ao mundo dos loucos,
nem por isso abandonarei a sanidade do sonho.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
surge enfim
enquanto meus olhos avistam
no horizonte a lua cheia
e eu caminho na rua meio iluminada
e deserta.
Cabeça aberta, olhos sonhadores
e medo inexistente.
Porém mal sabia eu
que minhas idéias eram espreitadas.
O vislumbre pela força mágica
das palavras em mente
cegavam o mundo externo,
o qual só se fazia presente
pela interpretação que ganhava em mim.
Não fantasiado ou uma surrealidade,
mas uma vontade de existir de outra forma.
Sonhos em realização eram acoplados
ao mundo que nunca os suportariam.
E dessa forma o mundo que eu via só existia em mim.
enquanto para os outros nada de especial acontecia.
eu descobria que o mundo que sempre sonhei
poderia sim, existir.
E eu vivia por instantes nele.
É preciso retornar ao mundo dos loucos,
nem por isso abandonarei a sanidade do sonho.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Ladeiras de Ouro Preto
Muito morro
Muita pedra
Muita igreja
Sobe-desce
Desce-sobe
Igreja
Ladeira
Morro
E pedra...
Ladeira sobe
Ladeira desce
É pedra por toda parte.
Retas, curvas e pedras.
Não que as pedras sejam ruins,
pelo contrário, elas é que dão fama ao lugar.
De certa forma, porque as igrejas
também têm seu charme turístico.
Mas até a arte vista por toda parte lá
é em pedra, pedra-sabão.
Sobe-desce
Pedra vai, pedra vem
E o lugar permanece, encantador como sempre
e cativante como nunca.
Valeu a pena escalar cada pedrinha
e cada ladeira daquela...
Descobrir a história, que, aliás, é bem viva no lugar.
Uma pesquisa em campo,
um repensar necessário.
Ver a arte dos mestres brasileiros
descobrindo ao mesmo tempo
a nova arte que surge nas mãos artesãs,
tímidas e sonhadoras.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Muita pedra
Muita igreja
Sobe-desce
Desce-sobe
Igreja
Ladeira
Morro
E pedra...
Ladeira sobe
Ladeira desce
É pedra por toda parte.
Retas, curvas e pedras.
Não que as pedras sejam ruins,
pelo contrário, elas é que dão fama ao lugar.
De certa forma, porque as igrejas
também têm seu charme turístico.
Mas até a arte vista por toda parte lá
é em pedra, pedra-sabão.
Sobe-desce
Pedra vai, pedra vem
E o lugar permanece, encantador como sempre
e cativante como nunca.
Valeu a pena escalar cada pedrinha
e cada ladeira daquela...
Descobrir a história, que, aliás, é bem viva no lugar.
Uma pesquisa em campo,
um repensar necessário.
Ver a arte dos mestres brasileiros
descobrindo ao mesmo tempo
a nova arte que surge nas mãos artesãs,
tímidas e sonhadoras.
Mariana Bizinotto – 20/07/2009
Era uma vozinha
Era uma voz.
Uma vozinha...
som suave,
tão suave
que de vez em quando
se tornava irritante!
Uma vozinha leve...
que não queria aparecer.
Tentava se conter, esconder, omitir ao máximo!
Mas se fazia necessária vez ou outra
e precisava aparecer.
Leve como pena,
era preciso silêncio absoluto
para ouvi-la,
pois até o vento
poderia levá-la, dissipá-la.
Era uma voz tímida, não fraca!
Fraca não, isso não era!
Tímida! Falava com temor,
mas quando conseguia
agarrar um fiozinho de segurança,
falava eloquentemente,
com a força da alma.
Porém era esse tal fiozinho de segurança
que vivia desfiado,
perdido por entre suas entranhas,
que a impedia de projetar-se.
Ir ao longe e alcançar ouvidos errados,
propagar mentiras
ou causar dúvidas,
e encontrar contestações –
essas vinham aos gritos,
escândalos vergonhosos,
aniquilação de todo um ser –
esses eram os maiores temores!
Por isso era preciso
paciência.
Fazer-se útil apenas com a certeza.
E esta certeza faltava-lhe quase sempre.
Falar, era morrer um pouco de cada vez.
E foi essa mesma vozinha
fina, suave, leve
e impacientemente temerosa
que conquistou o mundo.
Não através do som, mas da visão.
Se não era possível projetar-se em pronúncias,
era possível aos poucos transcrever-se,
e assim fazer-se existir.
E foi assim também
que aprendera a tecer os fios de segurança
que haviam dentro de si.
Suas entranhas nunca mais foram as mesmas,
agora eram rígidas,
estavam seguras de si
e conseguiam fazer-se ouvir.
Nunca imaginavam
apesar de terem sonhado diversas vezes com isso,
que um dia estariam à mostra.
Seriam alvo de procura e perguntas
e mais ainda que deteriam as respostas.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
Uma vozinha...
som suave,
tão suave
que de vez em quando
se tornava irritante!
Uma vozinha leve...
que não queria aparecer.
Tentava se conter, esconder, omitir ao máximo!
Mas se fazia necessária vez ou outra
e precisava aparecer.
Leve como pena,
era preciso silêncio absoluto
para ouvi-la,
pois até o vento
poderia levá-la, dissipá-la.
Era uma voz tímida, não fraca!
Fraca não, isso não era!
Tímida! Falava com temor,
mas quando conseguia
agarrar um fiozinho de segurança,
falava eloquentemente,
com a força da alma.
Porém era esse tal fiozinho de segurança
que vivia desfiado,
perdido por entre suas entranhas,
que a impedia de projetar-se.
Ir ao longe e alcançar ouvidos errados,
propagar mentiras
ou causar dúvidas,
e encontrar contestações –
essas vinham aos gritos,
escândalos vergonhosos,
aniquilação de todo um ser –
esses eram os maiores temores!
Por isso era preciso
paciência.
Fazer-se útil apenas com a certeza.
E esta certeza faltava-lhe quase sempre.
Falar, era morrer um pouco de cada vez.
E foi essa mesma vozinha
fina, suave, leve
e impacientemente temerosa
que conquistou o mundo.
Não através do som, mas da visão.
Se não era possível projetar-se em pronúncias,
era possível aos poucos transcrever-se,
e assim fazer-se existir.
E foi assim também
que aprendera a tecer os fios de segurança
que haviam dentro de si.
Suas entranhas nunca mais foram as mesmas,
agora eram rígidas,
estavam seguras de si
e conseguiam fazer-se ouvir.
Nunca imaginavam
apesar de terem sonhado diversas vezes com isso,
que um dia estariam à mostra.
Seriam alvo de procura e perguntas
e mais ainda que deteriam as respostas.
Mariana Bizinotto – 25/06/2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
A chave do mundo
Como nas mensagens subliminares
é preciso decifrar,
se envolver até o infinito
para descobrir o que sempre esteve ali,
escondido, oculto, tímido, misterioso,
instigante, provocativo, sábio.
Ler nas entrelinhas,
nas bordas,
no verso,
no espaço vazio
e no bombardeio de informações;
desvendar os códigos;
encontrar em cada poema
a chave que o abre.
Mariana Bizinotto - 29/05/2009
é preciso decifrar,
se envolver até o infinito
para descobrir o que sempre esteve ali,
escondido, oculto, tímido, misterioso,
instigante, provocativo, sábio.
Ler nas entrelinhas,
nas bordas,
no verso,
no espaço vazio
e no bombardeio de informações;
desvendar os códigos;
encontrar em cada poema
a chave que o abre.
Mariana Bizinotto - 29/05/2009
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